20082014Qua
AtualizaçãoQua, 18 Jun 2014

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A Geração Nova - Justificativa da arte de evangelizar

De duas maneiras se opera a marcha progressiva da Humanidade: uma, gradual, lenta, imperceptível, a traduzir-se na melhora dos costumes, nas leis, nos usos, melhoras que só com a continuação se podem perceber.

A outra por movimentos relativamente bruscos, semelhantes aos de uma torrente que rompendo os diques que a continham, transpõe nalguns anos o espaço que levaria séculos para percorrer.

Tornada adulta, a Humanidade tem novas necessidades, aspirações mais vastas e mais elevadas, já não encontra no estado de coisas, as satisfações legítimas. (3)

 

É a um desses períodos de transformação ou de crescimento moral que ora chega a Humanidade.

Somente o progresso moral pode assegurar aos homens a felicidade na Terra, refreando as paixões más; somente esse progresso pode fazer que entre os homens reine a concórdia, a paz, a fraternidade.

Será ele que deitará por terra as barreiras que separam os povos (...) ensinando os homens a se considerarem irmãos que têm por dever auxiliarem-se mutuamente (...). (4)

O Espiritismo pode dar aos homens a base necessária para que essas reformas morais se desenvolvam, completem e consolidem.

A Evangelização Espírita será uma poderosa alavanca capaz de auxiliar a humanidade nesse processo de regeneração e evolução moral.

A época atual é de transição, confundem-se os elementos das duas gerações.  Colocados no ponto intermédio, assistimos à partida de uma e à chegada da outra, já se assinalando cada uma, no mundo, pelos caracteres que lhes são peculiares. (5)

A geração que desaparece levará consigo seus erros e prejuízos; a geração que surge, retemperada em fonte mais pura, imbuída de idéias mais sãs, imprimirá ao mundo ascensional movimento no sentido de progresso moral que assinalará a nova fase da evolução humana. (6)

Necessário será estimular os espíritos que estão reencarnando nessas novas bases, a mudanças de comportamentos, organizando programas de esclarecimento, ao mesmo tempo em que se lhe desperta o desejo de renovação do espírito.

A essa geração nova cabe fundar a era do progresso moral e se distinguirão por possuírem inteligência e razão inquestionavelmente precoces, associados ao sentimento inato do bem.

Ao se cogitar da Evangelização da Criança e do Jovem, nessa nova fase de desenvolvimento, não se pode esquecer as experiências passadas, por meio das quais foi evoluindo a Humanidade, as conquistas científicas e sociais já alcançadas e a necessidade de continuar progredindo buscando agora a renovação moral.

Pois, a regeneração da Humanidade, não exige a renovação integral dos espíritos: basta uma modificação em suas predisposições morais. Essa modificação se opera em quantos lhe estão predispostos, desde que sejam subtraídos à influência perniciosa do mundo (7) e estimulados a atitudes de auto aperfeiçoamento aonde irão se transformando e, consequentemente, contribuindo para transformar a realidade que o cerca.

Esse progresso deverá estar mais ligado aos sentimentos, comportamentos e atitudes do que ao desenvolvimento do intelecto, pois conhecimentos científicos o homem já acumulou em grande escala, haja vista o avanço da ciência e da tecnologia em nosso mundo.

Faz-se necessário, então, estimular a vivência evangélica, despertando os homens para a prática da caridade e da fraternidade legítimas, atitudes capazes de realizar as modificações evolutivas que lhes assegurarão a felicidade na Terra. Esse programa pode fazer que entre os homens reine a concórdia e a paz.

Vivenciando os princípios espíritas, os homens se integrarão com seus pares e com o meio social mais amplo, contribuindo para a construção de um mundo mais evangelizado. (9)

A Evangelização Espírita, por considerar um passado de experiências e com vistas num futuro que se estende além da vida física, abrirá perspectivas novas nesse processo de renovação, adaptando-o às diferentes necessidades que surgirão com o desenvolvimento cultural e espiritual daqueles que estarão habitando a Terra.

(...) Ela se impõe com a exigência dos tempos. Só ela poderá orientar os espíritos para a formação do homem novo, consciente de sua natureza e do seu destino, bem como de pertencer à Humanidade cósmica e não aos exíguos limites da Humanidade terrena.(...) (8)

E o Espiritismo, pelo seu poder moralizador e pelas suas tendências progressistas, abrangendo uma imensa generalidade de questões, secundará a Humanidade nessa conquista.

O programa de Evangelização do Homem estará baseado nos recursos pedagógicos trazidos pelos ensinos de Jesus e na ciência do Espírito codificada por Kardec, que se encarregarão de realizar a grande e profunda renovação educacional, necessária ao progresso.

Apoiando-se nesses paradigmas, lembramos que Jesus afirmou a necessidade de transformação do homem velho em homem novo e é nesse sentido que a sua pedagogia deverá ser aplicada, nos programas de Evangelização Espírita do Homem,  agora e no futuro.

Referências Bibliográficas:

1. kardec, Allan.  A Geração Nova. In: A Gênese. Trad. Guillon Ribeiro. 48 Ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005, Cap.17, item 27, p.418.

2. idem , In:Sinais dos Tempos, item  5, p. 403.

3. idem.  Item 14.

4. idem . item 19.

5. idem. Item 20.

6. idem. Item 28.

7. idem. Item 33.

8.Pires, Herculano. Formação do homem novo. In: Pedagogia Espírita. ed. Edicel. São Paulo, 1985, p.61.

9. Rocha, Cecília e equipe. O Evangelizando. In: Currículo para Escola de Evangelização Espírita Infanto-Juvenil. 3ª. Ed. Rio de Janeiro: FEB, 2006, p.14.