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AtualizaçãoQua, 18 Jun 2014

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Avaliação do Processo de Ensino e Aprendizagem

Cada homem, filho do Criador e herdeiro  da Eternidade, há de crescer por si, aprimorando-se  e elevando-se, usando a vontade e a inteligência (...).
Xavier, Francisco Cândido. Luz acima. Pelo Espírito Irmão X. FEB, cap. 21.

1. Conceitos

Considera-se que avaliar é, essencialmente, emitir juízo de valor. Um juízo de valor é confiável se fundamentado em informações válidas e imparciais.
 A avaliação não é um fim, mas um meio. É um meio que permite verificar até que ponto os objetivos estão sendo alcançados.
Segundo Luckesi, ”a avaliação é uma apreciação qualitativa sobre dados relevantes do processo de ensino e aprendizagem que auxilia o professor a tomar decisões importantes sobre o seu trabalho”.

A avaliação deve ser concebida tendo em vista as várias habilidades e competências envolvidas na aprendizagem: o desenvolvimento motor, cognitivo, afetivo e social dos participantes.
 No processo de ensino-aprendizagem espírita, a avaliação focaliza também os aspectos moral e espiritual dos alunos.
 Por meio dessa concepção de avaliar, é possível diagnosticar situações ocorridas durante as atividades do ESDE, com vistas a auxiliar o aluno a aprender melhor.
 Outro fator relevante é que a avaliação depende da postura filosófica adotada pelos monitores dos cursos de Espiritismo e pela Casa Espírita.
Nos cursos de Estúdio Sistematizado da Doutrina Espírita, os monitores, alunos e demais envolvidos no processo precisam ver a avaliação como um instrumento para a melhoria da qualidade.
Vejamos alguns conceitos de avaliação, extraídos da literatura especializada, compatíveis com a orientação espírita:
• Avaliação é um componente do processo de ensino que visa, através da verificação e qualificação dos resultados, determinar a correspondência destes com os objetivos propostos e daí, orientar a tomada de decisões. (Libâneo,1990)
• Para gerir a progressão das aprendizagens, deve-se fazer balanços periódicos das aquisições dos alunos.Estas são essenciais para fundamentar decisões e orientações a serem tomadas mais tarde.(Perrenoud,2000)
• A avaliação educativa é um processo complexo que começa com a formulação de objetivos e requer a elaboração de meios para obter evidência de resultados, para saber em que medida foram os objetivos alcançados e formulação de um juízo de valor” (Sarubbi, 1971).

2. Importância  e  função da avaliação

Tradicionalmente, os processos e instrumentos de avaliação  foram construídos  a partir de três tipos de funções: a) prognóstica, de medida e diagnóstica.
a) função de  prognóstico: verifica o nível de conhecimento dos alunos, prevendo o seu desempenho futuro.Modernamente sabe-se que essa função não deve enfatizar o desempenho do educado apenas pela valorização do aspecto cognitivo. A aquisição de conhecimento é de suma importância, porém é impossível desconsiderar os aspectos afetivos, emocionais, sociais e econômicos e, para nós, espíritas, as implicações do processo reencarnatório;
b) função de medida: controla as aquisições e o progresso do aluno durante o processo de aprendizagem. Hoje, a função medida não deve ser vista apenas  como controladora, nem como a única forma de verificação das aquisições e do  progresso dos alunos;
c) função de diagnóstico: verifica o que está ocorrendo no processo de ensino, para que a aprendizagem real do aluno não seja prejudicada. A função diagnóstica, atualmente, é mais ampla, verificando o que ocorre  não apenas no processo de ensino, mas nas condições oferecidas pela  instituição , o  nível de conhecimento dos alunos e as medidas necessárias para suprir as dificuldades detectadas.
A avaliação diagnóstica é aplicada antes do início das ações educativas e tem a finalidade de realizar um levantamento a respeito das dificuldades que poderão ocorrer posteriormente.

3. Relação entre objetivos e avaliação.

A avaliação tem papel muito importante nas definições e redefinições de objetivos. Os objetivos   fundamentais do ensino espírita estão fundamentados em dois princípios, expressos nos processos e mecanismos da reforma intelecto-moral:
a) conhecimento doutrinário, extraído das obras espíritas codificadas por Allan Kardec e das complementares a estas, de autoria de Espíritos fiéis às idéias da Doutrina Espírita;
b) conduta moral, segundo as orientações do Evangelho de Jesus.
A avaliação nas atividades do ESDE,tem como propósito revelar o alcance desses objetivos, assim como determinar medidas, atividades ou orientações que implementem o atendimento pleno dos mesmos.
A avaliação do ensino-aprendizagem passa pela formulação de algumas questões básicas, tais como:
• Por que avaliar? Avaliamos para estimular uma reflexão crítica sobre os processos de ensino-aprendizagem e propor uma correção de rumos, adequando procedimentos e tomando decisões.
•  O que avaliar? Avaliamos conteúdos (competências), habilidades e comportamentos. Sendo assim, é importante  que a  avaliação seja contínua.
• Avaliar quem? Considerando a avaliação como um processo facilitador de  mudanças para  melhor, devemos avaliar  o outro e a nós mesmos, isto é, todas pessoas envolvidas no processo: o participante, o monitor, o  coordenador,  o pessoal    de apoio etc.
• Como avaliar? Avaliamos por meio de instrumentos diversificados. Para avaliação prognóstica, por exemplo, utiliza-se o pré-teste e a ficha de observação em sala de aula. Para a avaliação somativa, os instrumentos mais utilizados são as aferições de conhecimento (objetivas, subjetivas ou mistas). Para a avaliação formativa temos as observações informais e as em sala de aula (formais), os exercícios, as pesquisas, as dinâmicas de integração e sensibilização, as confraternizações etc.
• Quando avaliar? Devemos avaliar continuamente, utilizando os instrumentos de observação e registro de comportamento dos participantes, fichas de avaliação das atividades pedagógicas que avaliem o monitor , fichas de auto – avaliação para aluno e monitor e outros. O importante é que todos os momentos de avaliação sejam registrados pra posterior análise e replanejamento.

4. Indicadores da avaliação

Indicadores de avaliação são referências ou critérios que oferecem roteiros ao planejamento, implantação e desenvolvimento de um sistema de avaliação. Os indicadores mais utilizados são de dois tipos:
• indicadores quantitativos  — constituem uma medida numérica, claramente relacionada com a variável que está sendo avaliada;
• indicadores qualitativos — referem-se, em geral, a processos e situações ocorridos no ambiente da aprendizagem, os quais nem sempre são facilmente mensuráveis mas que, mesmo assim, são perceptíveis.
• Os indicadores qualitativos estão relacionados a objetivos não operacionais (subjetivos),a posturas,à relação professor-aluno,à filosofia de trabalho da instituição etc.
É desejável a  combinação desses  indicadores no processo de avaliação.
Os indicadores traduzem, nos processos de ensino e aprendizagem, os dados do desempenho (performance), das habilidades e de comportamentos detectados. È importante considerar  também que os resultados da avaliação são respeitados e acatados  desde que reflitam interpretações corretas (ou aceitas) da  realidade.
Existem outros indicadores que podem ser utilizados na avaliação, se necessário:
a) indicadores operacionais (ou de atividades) — estão diretamente relacionados ao tempo e à qualidade das atividades desenvolvidas nos diversos espaços pedagógicos. São úteis para acompanhar, por exemplo, o desenvolvimento do conteúdo da disciplina em relação a um cronograma previamente estabelecido;
b) indicadores de resultados: estão relacionados aos objetivos específicos e metas de programas ou de atividades. Esses indicadores estão, principalmente, associados ao desenvolvimento de habilidades;
c)  indicadores de impactos: referem-se às transformações ocorridas em função dos objetivos gerais. Expressam mudanças significativas na instituição, no currículo e no plano pedagógico;
d)  indicadores de contexto: visam a acompanhar as transformações  mais amplas.  São usados para aferir ações que provocam mudanças na escola, na família ou na sociedade;
e) indicadores de processo: referem-se à execução de um projeto ou programa, envolvendo a seqüência de ações, metas e  metodologias adotadas;  forma de gerenciamento, estilo de atuação da equipe executora, e estratégias selecionadas.

5. Técnicas e instrumentos de avaliação.

Avaliar é um ato extremamente complexo, cuja responsabilidade não é competência única do professor, mas sim de todos os integrantes do processo ensino aprendizagem (alunos, professores, pais e administradores).  Nesse sentido, a avaliação deve ser entendida como um instrumento de melhoria das pessoas e das instituições.
As técnicas e instrumentos de avaliação são formas ou meios utilizados para operacionalizar a avaliação, tendo como base os indicadores e os objetivos propostos.
Na escolha de uma técnica ou instrumento de avaliação é de fundamental importância o que se deseja verificar. Conforme com a habilidade ou competência a ser avaliada uma técnica específica deve ser escolhida. Podem ser:
a) de conhecimento—evoca informações teóricas, estruturas, fatos específicos, critérios, princípios etc;
b) de compreensão—refere-se ao entendimento de uma mensagem contida numa comunicação e não apenas o repetir de palavras;
c) de aplicação—diz respeito à habilidade para usar abstrações em situações particulares e concretas;
d)  de análise—é a capacidade de desdobrar uma comunicação em suas partes ou unidades (processo de análise);
e)  de síntese—capacidade de organizar as partes de uma comunicação em um todo (processo de síntese);
f) de julgamento — refere-se à habilidade para fazer julgamentos ou emitir juízos de valor sobre um fato, assunto ou acontecimento.

 Instrumentos de Avaliação.

Os instrumentos de avaliação podem ser classificados em objetivos e subjetivos, segundo os indicadores selecionados. São instrumentos objetivos:
a) questionários (perguntas abertas e/ou fechadas);
b)  escolha de uma resposta (falso-verdadeiro, múltipla escolha, associação etc.);
c) evocação de uma resposta (completar lacunas, numeração etc.);
d) ordenação de elementos (ordem correta, montagem, etapas seqüenciais etc.).
Esses instrumentos atendem, em geral, aos indicadores quantitativos.
Os principais instrumentos subjetivos são:
a) instruções para escrever, justificar, desenhar, pintar, modelar esboçar etc.
b) dissertações ou respostas discursivas;
c) histórias para serem contadas, relatos de experiências, estudo de caso, análise de um problema etc.
Os instrumentos subjetivos são mais utilizados quando se pretende detectar valores qualitativos.
Em princípio, um instrumento de avaliação é considerado bom e representativo da realidade quando utilizam, de forma equilibradas medições (indicadores quantitativos) e testes (indicadores qualitativos).
Incluímos, em anexo, exemplos de instrumentos de avaliação utilizados, no corrente ano, nos cursos do Estudo Sistematizados da Doutrina Espírita da FEB.


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OBRAS CONSULTADAS
ABREU, Maria Célia e MASETTO, Marco Tarciso. O professor universitário em aula. 10.ed. São Paulo: MG e Ed. Associados, 1990.
ARAÚJO, Andréia Cristina Marques. Avaliação do desempenho escolar como ferramenta de exclusão social.http://www.revista.unicamp.br/infotec/artigos/andrea_cristina2.html
DESPREBITERIS, Lea. Desafio da avaliação da aprendizagem. U: São Paulo, 1989.
HAIDT, Regina Célia C. Azaux. Curso de didática geral. Ática: São Paulo, 1994.
MORALES, Pedro. A relação professor-aluno. Tradução de Gilmar Saint’Clair Ribeiro. São Paulo: Edições Loyola, 2001.
Perrenoud, Philippe. Novas Competências para Ensinar.Tradução Patrícia Chittoni Ramos.Porto Alegre: Editora Artmed, 2000.
PILETTI, Claudino. Didática geral. São Paulo: Editora Ática, 1995.
SOUZA, Sandra Zákia Lean de. Revisando a Teoria da Avaliação da Aprendizagem. In: SOUZA, Sandra Zákia Lean de. (org). Avaliação do rendimento escolar. Campinas: Papirus, 1991.
VASCONCELLOS, Celso dos Santos. Avaliação. Cadernos Pedagógicos Libertad – 3. São Paulo: 1995.
VASCONCELLOS, Celso dos Santos. Avaliação da Aprendizagem: práticas de Mudança. Cadernos Pedagógicos Libertad – 6. São Paulo: 1998.
VASCONCELLOS, Celso dos Santos. Planejamento. Cadernos Pedagógicos Libertad – 1. São Paulo: 1995.