18112017Sab
AtualizaçãoQua, 18 Jun 2014

PROVIDÊNCIA DIVINA

TEMA: 1.3   PROVIDÊNCIA DIVINA (Conteúdo Programático)

BASES EVANGÉLICAS:

Lucas, cap. 1
76 E tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo, porque irás ante a face do Senhor, a preparar os seus caminhos;
77 para dar ao seu povo conhecimento da salvação, na remissão dos seus pecados,
78 graças à entranhável misericórdia do nosso Deus, pela qual nos há de visitar a aurora lá do alto,
79 para alumiar aos que jazem nas trevas e na sombra da morte, a fim de dirigir os nossos pés no caminho da paz.
80 Ora, o menino crescia, e se robustecia em espírito; e habitava nos desertos até o dia da sua manifestação a Israel.

Lucas, cap. 12
22 E disse aos seus discípulos: Por isso vos digo: Não estejais ansiosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer, nem quanto ao corpo, pelo que haveis de vestir.
23 Pois a vida é mais do que o alimento, e o corpo mais do que o vestuário.
24 Considerai os corvos, que não semeiam nem ceifam; não têm despensa nem celeiro; contudo, Deus os alimenta. Quanto mais não valeis vós do que as aves!
25 Ora, qual de vós, por mais ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado à sua estatura?
26 Porquanto, se não podeis fazer nem as coisas mínimas, por que estais ansiosos pelas outras?
27 Considerai os lírios, como crescem; não trabalham, nem fiam; contudo vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como um deles.
28 Se, pois, Deus assim veste a erva que hoje está no campo e amanhã é lançada no forno, quanto mais vós, homens de pouca fé?
29 Não procureis, pois, o que haveis de comer, ou o que haveis de beber, e não andeis preocupados.
30 Porque a todas estas coisas os povos do mundo procuram; mas vosso Pai sabe que precisais delas.
31 Buscai antes o seu reino, e estas coisas vos serão acrescentadas.

BASE DOUTRINÁRIA:

O LIVRO DOS ESPÍRITOS

Provas da existência de Deus

4. Onde se pode encontrar a prova da existência de Deus?
“Num axioma que aplicais às vossas ciências. Não há efeito sem causa. Procurai a causa de tudo o que não é obra do homem e a vossa razão responderá.”
Para crer-se em Deus, basta se lance o olhar sobre as obras da Criação. O Universo existe, logo tem uma causa. Duvidar da existência de Deus é negar que todo efeito tem uma causa e avançar que o nada pôde fazer alguma coisa.
6. O sentimento íntimo que temos da existência de Deus não poderia ser fruto da educação, resultado de idéias adquiridas?
“Se assim fosse, por que existiria nos vossos selvagens esse sentimento?”
Se o sentimento da existência de um ser supremo fosse tão-somente produto de um ensino, não seria universal e não existiria senão nos que houvessem podido receber esse ensino, conforme se dá com as noções científicas.
8. Que se deve pensar da opinião dos que atribuem a formação primária a uma combinação fortuita da matéria, ou, por outra, ao acaso?
“Outro absurdo! Que homem de bom-senso pode considerar o acaso um ser inteligente? E, demais, que é o acaso? Nada.”
A harmonia existente no mecanismo do Universo patenteia combinações e desígnios determinados e, por isso mesmo, revela um poder inteligente. Atribuir a formação primária ao acaso é insensatez, pois que o acaso é cego e não pode produzir os efeitos que a inteligência produz. Um acaso inteligente já não seria acaso.

9. Em que é que, na causa primária, se revela uma inteligência suprema e superior a todas as inteligências?
“Tendes um provérbio que diz: Pela obra se reconhece o autor. Pois bem! Vede a obra e procurai o autor. O orgulho é que gera a incredulidade. O homem orgulhoso nada admite acima de si. Por isso é que ele se denomina a si mesmo de espírito forte. Pobre ser, que um sopro de Deus pode abater!”
Do poder de uma inteligência se julga pelas obras. Não podendo nenhum ser humano criar o que a Natureza produz, a causa primária é, conseguintemente, uma inteligência superior à Humanidade. Quaisquer que sejam os prodígios que a inteligência humana tenha operado, ela própria tem uma causa e, quanto maior for o que opere, tanto maior há de ser a causa primária. Aquela inteligência superior é que é a causa primária de todas as coisas, seja qual for o nome que lhe dêem.
13. Quando dizemos que Deus é eterno, infinito, imutável, imaterial, único, onipotente, soberanamente justo e bom, temos idéia completa de Seus atributos?
“Do vosso ponto de vista, sim, porque credes abranger tudo. Sabei, porém, que há coisas que estão acima da inteligência do homem mais inteligente, as quais a vossa linguagem, restrita às vossas idéias e sensações, não tem meios de exprimir. A razão, com efeito, vos diz que Deus deve possuir em grau supremo essas perfeições, porquanto, se uma Lhe faltasse, ou não fosse infinita, já Ele não seria superior a tudo, não seria, por conseguinte, Deus. Para estar acima de todas as coisas, Deus tem que se achar isento de qualquer vicissitude e de qualquer das imperfeições que a imaginação possa conceber.”
Deus é eterno. Se tivesse tido princípio, teria saído do nada, ou, então, também teria sido criado, por um ser anterior. É assim que, de degrau em degrau, remontamos ao infinito e à eternidade. É imutável. Se estivesse sujeito a mudanças, as leis que regem o Universo nenhuma estabilidade teriam. É imaterial. Quer isto dizer que a sua natureza difere de tudo o que chamamos matéria. De outro modo, ele não seria imutável, porque estaria sujeito às transformações da matéria. É único. Se muitos Deuses houvesse, não haveria unidade de vistas, nem unidade de poder na ordenação do Universo. É onipotente. Ele o é, porque é único. Se não dispusesse do soberano poder, algo haveria mais poderoso ou tão poderoso quanto ele, que então não teria feito todas as coisas. As que não houvesse feito seriam obra de outro Deus. É soberanamente justo e bom. A sabedoria providencial das leis divinas se revela, assim nas mais pequeninas coisas, como nas maiores, e essa sabedoria não permite se duvide nem da justiça nem da bondade de Deus.

O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO

Cap .5 – item 11

11. Em vão se objeta que o esquecimento constitui obstáculo a que se possa aproveitar da experiência de vidas anteriores. havendo Deus entendido de lançar um véu sobre o passado, é que há nisso vantagem. Com efeito, a lembrança traria gravíssimos inconvenientes. Poderia, em certos casos, humilhar-nos singularmente, ou, então, exaltar-nos o orgulho e, assim, entravar o nosso livre-arbítrio. Em todas as circunstâncias, acarretaria inevitável perturbação nas relações sociais. Freqüentemente, o Espírito renasce no mesmo meio em que já viveu, estabelecendo de novo relações com as mesmas pessoas, a fim de reparar o mal que lhes haja feito. Se reconhecesse nelas as a quem odiara, quiçá o ódio se lhe despertaria outra vez no íntimo.
De todo modo, ele se sentiria humilhado em presença daquelas a quem houvesse ofendido. Para nos melhorarmos, outorgou-nos Deus, precisamente, o de que necessitamos e nos basta: a voz da consciência e as tendências instintivas. Priva-nos do que nos seria prejudicial. Ao nascer, traz o homem consigo o que adquiriu, nasce qual se fez; em cada existência, tem um novo ponto de partida. Pouco lhe importa saber o que foi antes: se se vê punido, é que praticou o mal. Suas atuais tendências más indicam o que lhe resta a corrigir em si próprio e é nisso que deve concentrar-se toda a sua atenção, porquanto, daquilo de que se haja corrigido completamente, nenhum traço mais conservará.
As boas resoluções que tomou são a voz da consciência, advertindo-o do que é bem e do que é mal e dando-lhe forças para resistir às tentações. Aliás, o esquecimento ocorre apenas durante a vida corpórea. Volvendo à vida espiritual, readquire o Espírito a lembrança do passado; nada mais há, portanto, do que uma interrupção temporária, semelhante à que se dá na vida terrestre durante o sono, a qual não obsta a que, no dia seguinte, nos recordemos do que tenhamos feito na véspera e nos dias precedentes.
E não é somente após a morte que o Espírito recobra a lembrança dó passado. Pode dizer-se que jamais a perde, pois que, como a experiência o demonstra, mesmo encarnado, adormecido o corpo, ocasião em que goza de certa liberdade, o Espírito tem consciência de seus atos anteriores; sabe por que sofre e que sofre com justiça. A lembrança unicamente se apaga no curso da vida exterior, da vida de relação. Mas, na falta de uma recordação exata, que lhe poderia ser penosa e prejudicá-lo nas suas relações sociais, forças novas haure ele nesses instantes de emancipação da alma, se os sabe aproveitar.

CAP – 16  ITENS 8 E 9

Utilidade providencial da riqueza. Provas da riqueza e da miséria

7. Se a riqueza houvesse de constituir obstáculo absoluto à salvação dos que a possuem, conforme se poderia inferir de certas palavras de Jesus, interpretadas segundo a letra e não segundo o espírito, Deus, que a concede, teria posto nas mãos de alguns um instrumento de perdição, sem apelação nenhuma, idéia que repugna à razão. Sem dúvida, pelos arrastamentos a que dá causa, pelas tentações que gera e pela fascinação que exerce, a riqueza constitui uma prova muito arriscada, mais perigosa do que a miséria. É o supremo excitante do orgulho, do egoísmo e da vida sensual.
E o laço mais forte que prende o homem à Terra e lhe desvia do céu os pensamentos. Produz tal vertigem que, muitas vezes, aquele que passa da miséria à riqueza esquece de pronto a sua primeira condição, os que com ele a partilharam, os que o ajudaram, e faz-se insensível, egoísta e vão. Mas, do fato de a riqueza tornar difícil a jornada, não se segue que a torne impossível e não possa vir a ser um meio de salvação para o que dela sabe servir-se, como certos venenos podem restituir a saúde, se empregados a propósito e com discernimento. Quando Jesus disse ao moço que o inquiria sobre os meios de ganhar a vida eterna: "Desfase-te de todos os teus bens e segue-me", não pretendeu, decerto, estabelecer como princípio absoluto que cada um deva despojar-se do que possui e que a salvação só a esse preço se obtém; mas, apenas mostrar que o apego aos bens terrenos é um obstáculo à salvação. Aquele moço, com efeito, se julgava quite porque observara certos mandamentos e, no entanto, recusava-se à idéia de abandonar os bens de que era dono.
Seu desejo de obter a vida eterna não ia até ao extremo de adquiri-la com sacrifício. O que Jesus lhe propunha era uma prova decisiva, destinada a pôr a nu o fundo do seu pensamento. Ele podia, sem dúvida, ser um homem perfeitamente honesto na opinião do mundo, não causar dano a ninguém, não maldizer do próximo, não ser vão, nem orgulhoso, honrar a seu pai e a sua mãe. Mas, não tinha a verdadeira caridade; sua virtude não chegava até à abnegação. Isso o que Jesus quis demonstrar. Fazia uma aplicação do princípio: "Fora da caridade não há salvação". A conseqüência dessas palavras, em sua acepção rigorosa, seria a abolição da riqueza por prejudicial à felicidade futura e como causa de uma imensidade de males na Terra; seria, ao demais, a condenação do trabalho que a pode granjear; conseqüência absurda, que reconduziria o homem à vida selvagem e que, por isso mesmo, estaria em contradição com a lei do progresso, que é lei de Deus.
Se a riqueza é causa de muitos males, se exacerba tanto as más paixões, se provoca mesmo tantos crimes, não é a ela que devemos inculpar, mas ao homem, que dela abusa, como de todos os dons de Deus. Pelo abuso, ele torna pernicioso o que lhe poderia ser de maior utilidade. E a conseqüência do estado de inferioridade do mundo terrestre. Se a riqueza somente males houvesse de produzir, Deus não a teria posto na Terra. Compete ao homem fazê-la produzir o bem. Se não é um elemento direto de progresso moral, é, sem contestação, poderoso elemento de progresso intelectual. Com efeito, o homem tem por missão trabalhar pela melhoria material do planeta.
Cabe-lhe desobstrui-lo, saneá-lo, dispô-lo para receber um dia toda a população que a sua extensão comporta. Para alimentar essa população que cresce incessantemente, preciso se faz aumentar a produção. Se a produção de um país é insuficiente, será necessário buscá-la fora. Por isso mesmo, as relações entre os povos constituem uma necessidade. A fim de mais as facilitar, cumpre sejam destruídos os obstáculos materiais que os separam e tornadas mais rápidas as comunicações. Para trabalhos que são obra dos séculos, teve o homem de extrair os materiais até das entranhas da terra; procurou na Ciência os meios de os executar com maior segurança e rapidez.
Mas, para os levar a efeito, precisa de recursos: a necessidade fê-lo criar a riqueza, como o fez descobrir a Ciência. A atividade que esses mesmos trabalhos impõem lhe amplia e desenvolve a inteligência, e essa inteligência que ele concentra, primeiro, na satisfação das necessidades materiais, o ajudará mais tarde a compreender as grandes verdades morais. Sendo a riqueza o meio primordial de execução, sem ela não mais grandes trabalhos, nem atividade, nem estimulante, nem pesquisas. Com razão, pois, é a riqueza considerada elemento de progresso.

Desigualdade das riquezas

8. A desigualdade das riquezas é um dos problemas que inutilmente se procurará resolver, desde que se considere apenas a vida atual. A primeira questão que se apresenta é esta: Por que não são igualmente ricos todos os homens? Não o são por uma razão muito simples: por não serem igualmente inteligentes, ativos e laboriosos para adquirir, nem sóbrios e previdentes para conservar. E, alias, ponto matematicamente demonstrado que a riqueza, repartida com igualdade, a cada um daria uma parcela mínima e insuficiente; que, supondo efetuada essa repartição, o equilíbrio em pouco tempo estaria desfeito, pela diversidade dos caracteres e das aptidões; que, supondo-a possível e durável, tendo cada um somente com que viver, o resultado seria o aniquilamento de todos os grandes trabalhos que concorrem para o progresso e para o bem-estar da Humanidade; que, admitido desse ela a cada um o necessário, já não haveria o aguilhão que impele os homens às grandes descobertas e aos empreendimentos úteis.
Se Deus a concentra em certos pontos, é para que daí se expanda em quantidade suficiente, de acordo com as necessidades. Admitido isso, pergunta-se por que Deus a concede a pessoas incapazes de fazê-la frutificar para o bem de todos. Ainda aí está uma prova da sabedoria e da bondade de Deus. Dando-lhe o livre-arbítrio, quis ele que o homem chegasse, por experiência própria, a distinguir o bem do mal e que a prática do primeiro resultasse de seus esforços e da sua vontade. Não deve o homem ser conduzido fatalmente ao bem, nem ao mal, sem o que não mais fora senão instrumento passivo e irresponsável como os animais. A riqueza é um meio de o experimentar moralmente. Mas, como, ao mesmo tempo, é poderoso meio de ação para o progresso, não quer Deus que ela permaneça longo tempo improdutiva, pelo que incessantemente a desloca. Cada um tem de possuí-la, para se exercitar em utilizá-la e demonstrar que uso sabe fazer dela. Sendo, no entanto, materialmente impossível que todos a possuam ao mesmo tempo, e acontecendo, além disso, que, se todos a possuíssem, ninguém trabalharia, com o que o melhoramento do planeta ficaria comprometido, cada um a possui por sua vez. Assim, um que não na tem hoje, já a teve ou terá noutra existência; outro, que agora a tem, talvez não na tenha amanhã. Há ricos e pobres, porque sendo Deus justo, como é, a cada um prescreve trabalhar a seu turno.
A pobreza é, para os que a sofrem, a prova da paciência e da resignação; a riqueza é, para os outros, a prova da caridade e da abnegação. Deploram-se, com razão, o péssimo uso que alguns fazem das suas riquezas, as ignóbeis paixões que a cobiça provoca, e pergunta-se: Deus será justo, dando-as a tais criaturas? E exato que, se o homem só tivesse uma única existência, nada justificaria semelhante repartição dos bens da Terra; se, entretanto, não tivermos em vista apenas a vida atual e, ao contrário, considerarmos o conjunto das existências, veremos que tudo se equilibra com justiça. Carece, pois, o pobre de motivo assim para acusar a Providência, como para invejar os ricos e estes para se glorificarem do que possuem. Se abusam, não será com decretos ou leis suntuárias que se remediará o mal. As leis podem, de momento, mudar o exterior, mas não logram mudar o coração; daí vem serem elas de duração efêmera e quase sempre seguidas de uma reação mais desenfreada. A origem do mal reside no egoísmo e no orgulho: os abusos de toda espécie cessarão quando os homens se regerem pela lei da caridade.

A GÊNESE

CAPÍTULO II

2. - Constitui princípio elementar que pelos seus efeitos é que se julga de uma causa, mesmo quando ela se conserve oculta. Se, fendendo os ares, um pássaro é atingido por mortífero grão de chumbo, deduz-se que hábil atirador o alvejou, ainda que este último não seja visto. Nem sempre, pois, se faz necessário vejamos uma coisa, para sabermos que ela existe. Em tudo, observando os efeitos é que se chega ao conhecimento das causas.

A Providência

20. - A providência é a solicitude de Deus para com as suas criaturas. Ele está em toda parte, tudo vê, a tudo preside, mesmo às coisas mais mínimas. É nisto que consiste a ação providencial. «Como pode Deus, tão grande, tão poderoso, tão superior a tudo, imiscuir-se em pormenores ínfimos, preocupar-se com os menores atos e os menores pensamentos de cada indivíduo?» Esta a interrogação que a si mesmo dirige o incrédulo, concluindo por dizer que, admitida a existência de Deus, só se pode admitir, quanto à sua ação, que ela se exerça sobre as leis gerais do Universo; que este funcione de toda a eternidade em virtude dessas leis, às quais toda criatura se acha submetida na esfera de suas atividades, sem que haja mister a intervenção incessante da Providência.

21. - No estado de inferioridade em que ainda se encontram, só muito dificilmente podem os homens compreender que Deus seja infinito. Vendo-se limitados e circunscritos, eles o imaginam também circunscrito e limitado. Imaginando-o circunscrito, figuram-no quais eles são, à imagem e semelhança deles. Os quadros em que o vemos com traços humanos não contribuem pouco para entreter esse erro no espírito das massas, que nele adoram mais a forma que o pensamento. Para a maioria, é ele um soberano poderoso, sentado num trono inacessível e perdido na imensidade dos céus. Tendo restritas suas faculdades e percepções, não compreendem que Deus possa e se digne de intervir diretamente nas pequeninas coisas.

22. - Impotente para compreender a essência mesma da Divindade, o homem não pode fazer dela mais do que uma idéia aproximativa, mediante comparações necessariamente muito imperfeitas, mas que, ao menos, servem para lhe mostrar a possibilidade daquilo que, à primeira vista, lhe parece impossível. Suponhamos um fluido bastante sutil para penetrar todos os corpos. Sendo ininteligente, esse fluido atua mecanicamente, por meio tão-só das forças materiais. Se, porém, o supusermos dotado de inteligência, de faculdades perceptivas e sensitivas, ele já não atuará às cegas, mas com discernimento, com vontade e liberdade: verá, ouvirá e sentirá.

23. - As propriedades do fluido perispirítico dão-nos disso uma idéia. Ele não é de si mesmo inteligente, pois que é matéria, mas serve de veículo ao pensamento, às sensações e percepções do Espírito. Esse fluido não é o pensamento do Espírito; é, porém, o agente e o intermediário desse pensamento. Sendo quem o transmite, fica, de certo modo, impregnado do pensamento transmitido. Na impossibilidade em que nos achamos de o isolar, a nós nos parece que ele, o pensamento, faz corro com o fluido, que com este se confunde, como sucede com o som e o ar, de maneira que podemos, a bem dizer, materializá-lo. Assim como dizemos que o ar se torna sonoro, poderíamos, tomando o efeito Pela causa, dizer que o fluido se torna inteligente.

24. - Seja ou não assim no que concerne ao pensamento de Deus, isto é, quer o pensamento de Deus atue diretamente, quer por intermédio de um fluido, para facilitarmos a compreensão à nossa inteligência, figuremo-lo sob a forma concreta de um fluido inteligente que enche o universo infinito e penetra todas as partes da criação: a Natureza inteira mergulhada no fluido divino. Ora, em virtude do princípio de que as partes de um todo são da mesma natureza e têm as mesmas propriedades que ele, cada átomo desse fluido, se assim nos podemos exprimir, possuindo o pensamento, isto é, os atributos essenciais da Divindade e estando o mesmo fluido em toda parte, tudo está submetido à sua ação inteligente, à sua previdência, à sua solicitude. Nenhum ser haverá, por mais ínfimo que o suponhamos, que não esteja saturado dele. Achamo-nos então, constantemente, em presença da Divindade; nenhuma das nossas ações lhe podemos subtrair ao olhar; o nosso pensamento está em contacto ininterrupto com o seu pensamento, havendo, pois, razão para dizer-se que Deus vê os mais profundos refolhos do nosso coração. Estamos nele, como ele está em nós, segundo a palavra do Cristo.
Para estender a sua solicitude a todas as criaturas, não precisa Deus lançar o olhar do Alto da imensidade. As nossas preces, para que ele as ouça, não precisam transpor o espaço, nem ser ditas com voz retumbante, pois que, estando de contínuo ao nosso lado, os nossos pensamentos repercutem nele. Os nossos pensamentos são como os sons de um sino, que fazem vibrar todas as moléculas do ar ambiente.

25. - Longe de nós a idéia de materializar a Divindade. A imagem de um fluido inteligente universal evidentemente não passa de uma comparação apropriada a dar de Deus uma idéia mais exata do que os quadros que o apresentam debaixo de uma figura humana. Destina-se ela a fazer compreensível a possibilidade que tem Deus de estar em toda parte e de se ocupar com todas as coisas.

26. - Temos constantemente sob as vistas um exemplo que nos permite fazer idéia do modo por que talvez se exerça a ação de Deus sobre as partes mais intimas de todos os seres e, conseguintemente, do modo por que lhe chegam as mais sutis impressões de nossa alma. Esse exemplo tiramo-lo de certa instrução que a tal respeito deu um Espírito.

27. - «O homem é um pequeno mundo, que tem como diretor o Espírito e como dirigido o corpo. Nesse universo, o corpo representará uma criação cujo Deus seria o Espírito. (Compreendei bem que aqui há uma simples questão de analogia e não de identidade.) Os membros desse corpo, os diferentes órgãos que o compõem, os músculos, os nervos, as articulações são outras tantas individualidades materiais, se assim se pode dizer, localizadas em pontos especiais do referido corpo. Se bem seja considerável o número de suas partes constitutivas, de natureza tão variada e diferente, a ninguém é licito supor que se possam produzir movimentos, ou uma impressão em qualquer lugar, sem que o Espírito tenha consciência do que ocorra. Há sensações diversas em muitos lugares simultaneamente? O Espírito as sente todas, distingue, analisa, assina a cada uma a causa determinante e o ponto em que se produziu, tudo por meio do fluido perispirítico. «Análogo fenômeno ocorre entre Deus e a criação. Deus está em toda parte, na Natureza, como o Espírito está em toda parte, no corpo. Todos os elementos da criação se acham em relação constante com ele, como todas as células do corpo humano se acham em contacto imediato com o ser espiritual. Não há, pois, razão para que fenômenos da mesma ordem não se produzam de maneira idêntica, num e noutro caso.
«Um membro se agita: o Espírito o sente; uma criatura pensa: Deus o sabe. Todos os membros estão em movimento, os diferentes órgãos estão a vibrar; o Espírito ressente todas as manifestações, as distingue e localiza. As diferentes criações, as diferentes criaturas se agitam, pensam, agem diversamente: Deus sabe o que se passa e assina a cada um o que lhe diz respeito. «Daí se pode igualmente deduzir a solidariedade da matéria e da inteligência, a solidariedade entre si de todos os seres de um mundo, a de todos os mundos e, por fim, de todas as criações com o Criador.» (Quinemant, Sociedade de Paris, 1867.)

28. - Compreendemos o efeito: já é muito. Do efeito remontamos à causa e julgamos da sua grandeza pela do efeito. Escapa-nos, porém, a sua essência íntima, como a da causa de uma imensidade de fenômenos. Conhecemos os efeitos da eletricidade, do calor, da luz, da gravitação; calculamo-los e, entretanto, ignoramos a natureza íntima do principio que os produz. Será então racional neguemos o princípio divino, por que não o compreendemos?

29. - Nada obsta a que se admita, para o principio da soberana inteligência, um centro de ação, um foco principal a irradiar incessantemente, inundando o Universo com seus eflúvios, como o Sol com a sua luz. Mas onde esse foco? É o que ninguém pode dizer. Provavelmente, não se acha fixado em determinado ponto, como não o está a sua ação, sendo também provável que percorra constantemente as regiões do espaço sem-fim. Se simples Espíritos têm o dom da ubiqüidade, em Deus há de ser sem limites essa faculdade. Enchendo Deus o Universo, poder-se-ia ainda admitir, a título de hipótese, que esse foco não precisa transportar-se, por se formar em todas as partes onde a soberana vontade julga conveniente que ele se produza, donde o poder dizer-se que está em toda parte e em parte nenhuma.

30. - Diante desses problemas insondáveis, cumpre que a nossa razão se humilhe. Deus existe: disso não poderemos duvidar. É infinitamente justo e bom: essa a sua essência. A tudo se estende a sua solicitude: compreendemo-lo. Só o nosso bem, portanto, pode ele querer, donde se segue que devemos confiar nele: é o essencial. Quanto ao mais, esperemos que nos tenhamos tornado dignos de o compreender.

A visão de Deus

31. - Se Deus está em toda parte, por que não o vemos? Vê-lo-emos quando deixarmos a Terra? Tais as perguntas que se formulam todos os dias. À primeira é fácil responder. Por serem limitadas as percepções dos nossos órgãos visuais, elas os tornam inaptos à visão de certas coisas, mesmo materiais. Alguns fluidos nos fogem totalmente à visão e aos instrumentos de análise; entretanto, não duvidamos da existência deles. Vemos os efeitos da peste, mas não vemos o fluido que a transporta (1); vemos os corpos em movimento sob a influência da força de gravitação, mas não vemos essa força.
(1) Nota da Editora: Kardec escreveu de acordo com os conhecimentos da época, antes de 1894.

32. - Os nossos órgãos materiais não podem perceber as coisas de essência espiritual. Unicamente com a visão espiritual é que podemos ver os Espíritos e as coisas do mundo imaterial. Somente a nossa alma, portanto, pode ter a percepção de Deus. Dar-se-á que ela o veja logo após a morte? A esse respeito, só as comunicações de além-túmulo nos podem instruir. Por elas sabemos que a visão de Deus constitui privilégio das mais purificadas almas e que bem poucas, ao deixarem o envoltório terrestre, se encontram no grau de desmaterialização necessária a tal efeito. Uma comparação vulgar o tornará facilmente compreensível.

33. - Uma pessoa que se ache no fundo de um vale, envolvido por densa bruma, não vê o Sol. Entretanto, pela luz difusa, percebe que está fazendo sol. Se entra a subir a montanha, à medida que for ascendendo, o nevoeiro se irá tornando mais claro, a luz cada vez mais viva. Contudo, ainda não verá o Sol. Só depois que se haja elevado acima da camada brumosa e chegado a um ponto onde o ar esteja perfeitamente límpido, ela o contemplará em todo o seu esplendor. O mesmo se dá com a alma. O envoltório perispirítico, conquanto nos seja invisível e impalpável, é, com relação a ela, verdadeira matéria, ainda grosseira demais para certas percepções. Ele, porém, se espiritualiza, à proporção que a alma se eleva em moralidade. As imperfeições da alma são quais camadas nevoentas que lhe obscurecem a visão. Cada imperfeição de que ela se desfaz é uma mácula a menos; todavia, só depois de se haver depurado completamente é que goza da plenitude das suas faculdades.

34. - Sendo Deus a essência divina por excelência, unicamente os Espíritos que atingiram o mais alto grau de desmaterialização o podem perceber. Pelo fato de não o verem, não se segue que os Espíritos imperfeitos estejam mais distantes dele do que os outros; esses Espíritos, como os demais, como todos os seres da Natureza, se encontram mergulhados no fluido divino, do mesmo modo que nós o estamos na luz. O que há é que as imperfeições daqueles Espíritos são vapores que os impedem de vê-lo. Quando o nevoeiro se dissipar, vê-lo-ão resplandecer. Para isso, não lhes é preciso subir, nem procurá-lo nas profundezas do infinito. Desimpedida a visão espiritual das belidas que a obscureciam, eles o verão de todo lugar onde se achem, mesmo da Terra, porquanto Deus esta em toda parte.

35. - O Espírito só se depura com o tempo, sendo as diversas encarnações o alambique em cujo fundo deixa de cada vez algumas impurezas. Com o abandonar o seu invólucro corpóreo, os Espíritos não se despojam instantaneamente de suas imperfeições, razão por que, depois da morte, não vêem a Deus mais do que o viam quando vivos; mas, à medida que se depuram, têm dele uma intuição mais clara. Não o vêem, mas compreendem-no melhor; a luz é menos difusa. Quando, pois, alguns Espíritos dizem que Deus lhes proíbe respondam a uma dada pergunta não é que Deus lhes apareça, ou dirija a palavra, para lhes ordenar ou proibir isto ou aquilo, não; eles, porém, o sentem; recebem os eflúvios do seu pensamento, como nos sucede com relação aos Espíritos que nos envolvem em seus fluidos, embora não os vejamos.

36. - Nenhum homem, conseguintemente, pode ver a Deus com os olhos da carne. Se essa graça fosse concedida a alguns, só o seria no estado de êxtase, quando a alma se acha tão desprendida dos laços da matéria que torna possível o fato durante a encarnação. Tal privilégio, aliás, exclusivamente pertenceria a almas de eleição, encarnadas em missão, que não em expiação. Mas, como os Espíritos da mais elevada categoria refulgem de ofuscante brilho, pode dar-se que Espíritos menos elevados, encarnados ou desencarnados, maravilhados com o esplendor de que aqueles se mostram cercados, suponham estar vendo o próprio Deus. É como quem vê um ministro e o toma pelo seu soberano.

37. - Sob que aparência se apresenta Deus aos que se tornaram dignos de vê-lo? Será sob uma forma qualquer? Sob uma figura humana, ou como um foco de resplendente luz? A linguagem humana é impotente para dizê-lo, porque não existe para nós nenhum ponto de comparação capaz de nos facultar uma idéia de tal coisa. Somos quais cegos de nascença a quem procurassem inutilmente fazer compreendessem o brilho do Sol. A nossa linguagem é limitada pelas nossas necessidades e pelo círculo das nossas idéias; a dos selvagens não poderia descrever as maravilhas da civilização; a dos povos mais civilizados é extremamente pobre para descrever os esplendores dos céus, a nossa inteligência muito restrita para os compreender e a nossa vista, por muito fraca, ficaria deslumbrada.

OBRAS SUBSIDIÁRIAS:

LIVRO: A VIDA ESCREVE

CAP. 20 – 1ª PARTE
A MORATÓRIA

I

Vicente Curi, o empreiteiro de obras, amanheceu exasperado. Enfermo. Abatido. O corpo bambeara e a cabeça parecia-lhe um vaso em fogo.
Justamente naquele dia.
De noite, marcara o relógio. Horário certo de levantar. Quatro operários esperavam-no para a necessária demolição do velho prédio que adquirira em bairro distante.
Precisava satisfazer o serviço urgente em reconstruções diversas. Vira-se, porém, cansado, febril.
Além disso, vomitava substância amarga.
Tentara erguer-se. Inutilmente. A esposa dissera ser "melhor chamar médico".
Vicente reagiu, obstinado. Carro de clínico à porta, alarme certo.
Piorava a olhos vistos.
A idéia do serviço marcado castigava-lhe o pensamento. Contrariava-se. Apesar do problema orgânico, preferia ter viajado, a demorar-se na cama.
D. Mercedes, a esposa, pede-lhe calma. É indispensável confiar na Divina Bondade.
Às nove horas, Cesário, um dos cooperadores, vem pedir providências. Atacando o serviço, ele e os companheiros assistiram ao inesperado. A casa velha, caindo aos pedaços, não agüentou o ataque das picaretas e ruíra, de vez.
Valmiro, o operário mais jovem, tivera os pés gravemente feridos, ficando impossibilitado para o trabalho.
O empreiteiro, agora, não apenas gemia.
- Onde a Providência Divina que não me ajuda? - gritava, frenético.

II

Badalavam dez horas.
Entulhado de comprimidos, Vicente pede à esposa a injeção antitóxica guardada no armário.
Era a última de pequena série que deixara incompleta. Tanto tempo passara que D. Mercedes julgou prudente comprar uma nova caixa em farmácia vizinha.
- Não temos - falara o moço de vendas. E acrescentou: - Agora é remédio raro.
O enfermo, no entanto, não se conformava.
Queria a injeção. Velha assim mesmo. Entretanto, buscando ajustá-la à agulha, D. Mercedes viu-a cair no piso, perdendo-se o conteúdo.
Vicente se enraiveceu, enquanto a mulher lhe falava na Providência Maior.
Alguém lembrou o telefone para recurso a outra farmácia. O doente, amuado, recusou; não queria mais a medicação.

III

Mais tarde, porque sentisse dores nas costas, D. Crescência, antiga enfermeira da vizinhança, falou em aplicação de ventosas.
Vicente lembrou-se do avô, sob ventosas acima dos rins. E aceitou-as.
Copos de vidro, algodão e fósforos foram trazidos ao quarto. Quando faziam a aplicação das ventosas, um algodão inflamado escapa das mãos da bondosa amiga.
Comunica-se o fogo aos lençóis finos. Vicente é retirado pelas senhoras. Ultrapassa os limites do silêncio correto. Protesta indignado. Fala asneiras. Do colchão incendiado, porém, sai correndo enorme escorpião, mostrando dardo em riste.
D. Mercedes entra em luta perseguindo o lacrau que lhe foge ao chinelo, e fala, mais uma vez, sobre o Amparo Divino.
O marido lamenta-se, desesperado.
Sente-se perseguido. E reclama:
- Parece que urubus pousaram em mim.

IV

Quase noite, embora melhor, mostra-se Vicente mais inquieto.
Relaciona amarguras e prejuízos.
D. Mercedes pede o concurso de Souto, amigo da casa, para conduzi-lo ao templo espírita.
Vicente precisava de socorro moral. Convencera-o a valer-se do passe de reconforto.
Souto, ao telefone, promete colaborar, e, na hora certa, surge sorrindo. Está pronto.
O enfermo toma-lhe o braço, mas, talvez porque se movimentasse com lentidão, o ônibus esperado não espera por eles. Pára um segundo, e zarpa adiante.
- Era o que faltava! - Diz Vicente, enervado.
Não quer mais o passe. O amigo, entretanto, insiste. D. Mercedes insiste.
Tomam um táxi. Chegam ao templo indicado, alcançando o recinto no momento em que iam cerrar a porta.
São os últimos.
Antes deles, porém, um moço pálido entra à pressa e roga ao diretor da reunião, em voz alta, uma oração pelas vítimas de um desastre, ocorrido momentos antes.
O ônibus, que Vicente perdera, capotara em local próximo.
Fora feito o balanço. Quatro mortos e dez feridos ...
Iniciava-se a prece de abertura.
Por não poder conversar, pensa D. Mercedes, mais uma vez, no Infinito Amor de Deus. E, com efeito, no momento do passe, o Irmão Luís, orientador espiritual das tarefas em curso, incorpora-se em D. Cristina, a médium habitual, e diz a Vicente, alarmado:
- Meu amigo, não reclame. Por quatro vezes, hoje, rebelou-se você contra a Providência Divina, ao passo que a Divina Providência o arrebatou ás garras da morte por quatro vezes. Sua ficha de espírito devedor marcava, para hoje, a desencarnação rude e violenta. Você esteve à bica de ser esmagado pelo prédio que veio a cair; de ser envenenado pela empola que trazia líquido alterado; de ser picado pelo escorpião que o seguira no próprio leito, e de ser estrangulado na engrenagem do coletivo menos feliz ... Entretanto, Vicente, em atenção aos seus gestos de caridade, amigos espirituais do caminho advogaram-lhe a causa. Você mereceu amparo, na Lei, como alguém que consegue moratória no banco. Volte para casa e
descanse a cabeça teimosa. O socorro de Deus nem sempre tem a forma de flor ou a rutilância da luz. Volte e agradeça os contratempos e dissabores do dia. Serenidade é remédio em cada remédio.
Vicente enxugou os olhos úmidos ...
Terminada a sessão, regressou a casa, tranqüilo.
Reconciliara-se consigo mesmo, e, tornando ao leito, que recebia agora por bênção doce e reconfortante, planeou, satisfeito, a renovação de sua vida ...

LIVRO: FONTE VIVA

41 - NA SENDA ESCABROSA

“Nunca te deixarei, nem te desam¬pararei.” — Paulo. (HEBREUS, 13:5.)

A palavra do Senhor não se reporta somente à sustentação da vida física, na subida pedregosa da ascensão.
Muito mais que de pão do corpo, necessitamos de pão do espírito.
Se as células do campo fisiológico sofrem fome e reclamam a sopa comum, as necessidades e dese-jos, impulsos e emoções da alma provocam, por vezes, aflições desmedidas, exigindo mais ampla ali-mentação espiritual.
Há momentos de profunda exaustão, em nossas reservas mais íntimas.
As energias parecem esgotadas e as esperanças se retraem apáticas. Instala-se a sombra, dentro de nós, como se espessa noite nos envolvesse.
E qual acontece à Natureza, sob o manto no¬turno, embora guardemos fontes de entendimento e flores de boa-vontade, na vasta extensão do nosso pais interior, tudo permanece velado pelo nevoeiro de nossas inquietações.
 O Todo-Misericordioso, contudo, ainda aí, não nos deixa completamente relegados à treva de nossas indecisões e desapontamentos. Assim como faz brilhar as estrelas fulgurantes no alto, desvelando os caminhos constelados do firmamento ao viajor perdido no mundo, acende, no céu de nossos ideais, convicções novas e aspirações mais elevadas, a fim de que nosso espirito não se perca na viagem para a vida superior.
 “Nunca te deixarei, nem te desampararei” — pro¬mete a Divina Bondade.
 Nem solidão, nem abandono.
 A Providência Celestial prossegue velando...
 Mantenhamos, pois, a confortadora certeza de que toda tempestade é seguida pela atmosfera tran-qüila e de que não existe noite sem alvorecer.

LIVRO: ALVORADA CRISTÃ

2. NA  DIREÇÃO  DO  BEM
Neio Lúcio

O senhor tudo criou na direção do bem.
Todas as criaturas, por isto, são chamadas a produzir proveitosamente.
A erva tenra sustenta os animais.
A fonte oculta socorre o inseto humilde.
A árvore é abençoada companheira dos homens.
A flor produzirá fruto.
O fruto dar-nos-á mesa farta.
O rio distribui as águas.
A chuva lava o céu e sacia a terra sedenta.
A pedra faz o alicerce de nossa casa.
A boa palavra revela o bom caminho.
Como desconhecer os santos propósitos da vida, se a natureza que a sustenta reflete os sábios desígnios da Providência?
Grande escola para o nosso espírito, a Terra é um livro gigantesco em que podemos ler a mensagem de amor universal que o Pai celeste nos envia.
Desde a gota de orvalho que alimenta o cacto espinhoso, à luz do sol que brilha no alto para todos os seres, podemos sentir o apelo da Infinita Sabedoria ao serviço de cooperação na felicidade, na paz e na alegria dos semelhantes.
Todo homem e toda mulher nascem no mundo para tarefas santificantes, segundo a Divina Lei.
Com alegria, o bom administrador governa os interesses do povo.
Com alegria, o bom lavrador ara o solo e protege a sementeira.
O homem que semeia no chão, garantindo a subsistência das criaturas, é irmão daquele que dirige o pensamento das nações para o conhecimento divino.
A mulher que recebe homenagens pelas suas virtudes públicas é irmã daquela que, na intimidade do lar, se sacrifica pela criancinha doente.
Deus conhece as pessoas pelo que produzem, assim como nós conhecemos as árvores pelos frutos que nos estendem.
Em razão disto, os homens bons são amados e respeitados.
A presença deles atrai o carinho e a veneração dos semelhantes. Os maus, todavia, são portadores de ações e palavras indesejáveis e toda gente lhes evita o convívio, tanto quanto nos afastamos das plantas espinhosas e ingratas.
O homem bom compreende que a vida lhe pede a bênção do serviço e levanta-se cada manhã, pensando: “Que belo dia para trabalhar”.
O mau, porém, ergue-se de mau humor. Não sabe sorrir para os que o cercam e costuma exclamar: “Dia terrível! Que destino cruel! Detesto o trabalho e odeio a vida!”.
Um homem, qual esse, precisa de auxílio dos homens bons, porque em não se dedicando ao serviço digno será realmente muito infeliz.

LIVRO: ESCRÍNIO DE LUZ

ANTE  A  GRANDEZA  DIVINA 
Emmanuel

A pobreza considerada em sua expressão de carência absoluta, só existe no homem, quando o homem se afasta dos tesouros divinos que lhe enriquecem a senda.

Move-se a Terra no Espaço, entre milhões de mundos.

*

Nasce a criatura, no seio da Humanidade, entre milhões de seres irmãos.
Para desenvolver-se na Esfera Carnal, recebe um corpo constituído de milhões de células, e, comumente, dispõe de milhões de minutos para educar-se e engrandecer-se.
Alteram-se, a cada hora, milhões de existências nos reinos inferiores da natureza para que lhe não faltem força e combustível à máquina fisiológica, abençoado instrumento com que pode aproveitar as múltiplas oportunidades de evolução e aprimoramento que a experiência lhe oferece a cada passo do dia.

*

Tudo é grande na Casa de Deus e todas as bênçãos de Deus no Universo são administradas em máxima expressão.

*

Tenhamos suficiente disposição de aprender e servir, e acumularemos em nós mesmos, não as cruzes de ouro e fogo, sangue e lágrimas que tantas vezes nos arrastam aos precipícios da treva, sob o fardo espinhoso das provações que atraímos com a nossa própria leviandade, mas sim os talentos do amor, suscetíveis de soerguer-nos da sombra do vale para o fulgor dos cimos, investindo-nos na posse da herança celeste que nos é reservada indistintamente no Reino da Eterna Luz.

Voltaire em “Le Depositaire”: A felicidade nos espera em algum local: A condição é que a encontremos.

LIVRO: TROVADORES DO ALÉM

 12

Para a Justiça de Deus,
Tem muito mais expressão
A gota de caridade
Que o rio da pregação.

Martins Coelho


60

Quem sofra e não se desmande,
Sentirá, de fato, um dia,
Que tirou a sorte grande
Sem jogar na loteria.

Sabino Batista

LIVRO: AMOR E LUZ

OFERENDA
Emmanuel

Se sofre provações,
Deus te resguarde a fé.
 
Ante as lutas alheias,
Deus te sustente a paz.
 
Se a fadiga te alcança,
Deus te restaure a força.
 
Quando a sombra te envolva,
Deus te ilumine a estrada.
 
Se caíste em caminho,
Deus te ampare e levante.
 
Por mais pedras à frente,
Segue e confia em Deus

A  CENTELHA  QUE  AQUECE

Ricardo Tadeu Richette
Nascimento: 23.07.1951
Desencarne: 02.06.1971
Parentesco: Irmão

Mamãe, com a morte de Tadeu, meu irmão, não tinha a mínima condição na restauração do seu equilíbrio.
Passava o tempo todo desesperada, chorando muito. Estava adoecendo, revoltando-se com tudo e com todos. Não acreditava em nada que pudesse aliviar a sua dor.
Nessa época o Chico estava para vir à Televisão Tupi, no Programa Pinga-fogo.
Amigos achavam que mamãe deveria procurá-lo. Mas, católicos praticantes, ficamos preocupados, pois mamãe não acreditava em Espiritismo.
No dia do programa, o seu desespero parecia maior.
Não agüentou e dirigiu-se ao Canal 4 para ver se falava com o Chico Xavier.
Não conhecia ninguém, nem mesmo Chico.
Uma senhora, percebendo a sua aflição, penalizada, acompanhou-a até o Chico.
Soube, depois, tratar-se da Sra. Zilda Giunchetti Rosin.
Conseguiu trocar rápidas palavras com o Chico e voltou para casa.
Porém, esse rápido encontro de nada adiantou. Continuou chorando e cada vez mais revoltada. Dizia que o Chico recomendara-lhe calma. Mas ela não entendia.
“Como recomendar-me calma?
O filho é meu.
Por que?
Ele vai devolver o meu filho?”
Essas eram as suas palavras.
As reclamações se sucederam por muito tempo.
Depois de sete meses do desencarne de Tadeu, tive uma intuição.
Pedi à mamãe que se preparasse, pois iríamos a Uberaba no dia seguinte.
Ela não acreditou, mas insisti. Algo dava-me muita confiança e, naquele impacto, consegui seu assentimento. Nem mesmo meu marido sabia que iríamos.
Não conhecia Uberaba. Viajamos mesmo assim.
Era tarde da noite e chovia muito.
À vontade de chegar era grande e, na entrada de Uberaba, por informações, dirigimo-nos para o centro da cidade.
Para nossa surpresa, saímos bem defronte ao hotel onde havíamos feito reserva para a nossa hospedagem.
Ainda nessa madrugada fomos à procura da casa de Chico para que no dia seguinte fosse mais fácil.
Rodamos por várias ruas, até que nos vimos obrigadas a perguntar onde era a rua Eurípides Barsanulfo e a casa de Chico.
O rapaz que nos informou admirou-se, pois estávamos a poucos metros da casa.
Acredito que fui guiada. Só mesmo estando junto para sentir o que aconteceu.
No dia seguinte fomos à reunião, mas não pudemos falar com o Chico. Havia muita gente, um casal, talvez com problemas maiores que os nossos, tomou muito tempo.
O trabalho começou.
Colocamos os nossos nomes para o receituário acreditando que mais tarde nos chegaria uma receita com alguma medicação.
Veio um recado do Dr. Bezerra de Menezes que dizia: “Nosso Ricardo está sob os cuidados de abnegados irmãos espirituais  .”
No final da reunião, por volta das três horas da madrugada, Chico nos chamou e disse se tínhamos necessidade de voltar para São Paulo, ainda naquele dia. Gostaria que participássemos da peregrinação que se realizaria na tarde daquele sábado que se iniciava.
Aceitamos.
Na volta da peregrinação mamãe estava ansiosa para falar-lhe. Mas estávamos mais afastadas. Um casal sugeriu à mamãe que falasse de onde estava mesmo. Constrangida, não falou.
Pedi-lhe que fossemos para trás, pois se tivesse que receber alguma coisa, receberíamos.
Chegando ao Centro, sentamo-nos e aguardamos quietas.
Abriram-se os trabalhos e o Chico começou a psicografar.
Mamãe nesse momento começou a bocejar e, em dado momento, seu corpo enrijeceu. Estava incorporava, sentindo a presença de meu irmão que gritava: “Mamãe, mamãe...” Socorrida, acalmou-se.
Chico começou a leitura e, quando em determinado parágrafo leu: “terça-feira...”, dei um grito, pois percebi que a mensagem era para nós.
Chorávamos e tremíamos.
A senhora Marcilia Bensi, que nos acompanhou na viagem, empolgada, não se conteve.
Perguntou ao Chico como poderia eu estar com todo aquele conhecimento, pois tudo que eu programava ou falava dava certo. Ele respondeu que fui como uma espécie de  tomada que foi ligada e o resto foi deixar acontecer.
Se aquela mensagem ano tivesse vindo, mamãe não teria dado o menor credito.
Ela desmaiou quando da leitura da mesma. Foi o alimento que caiu do céu e veio nos tranqüilizar. Sem ela teríamos esmorecido.
Interessante que num determinado trecho, Tadeu enviava lembranças ao Aparício, gerente da empresa de Papai. Nem mesmo pensávamos nele naquela viagem.
Outra coisa, coincidência ou não, estávamos com o Certificado de Reservista do Tadeu na bolsa e, confrontando suas assinaturas, sem sombra de duvida, eram idênticas.
Nas mensagens que recebemos depois, existem muitos casos dignos de nota, como por exemplo:
Papai estava viajando e aproveitamos para ir a Uberaba. Tadeu, na mensagem, não deixou de mencionar que também estava acompanhando  papai na viagem.
O Chico não sabia disso.
Na noite do seu desencarne, estava sendo levada ao ar, por um canal de televisão, a novela “Minha doce namorada”, assistida por meu filho. Meu irmão comentou-a pois ouvia o som do televisor.
Foi exatamente nesse horário que lhe ocorreu o problema cardíaco.
Na última mensagem, soubemos que Chico estivera acamado e fomos visitá-lo. Já restabelecido, o encontramos no centro. Para nossa felicidade recebemos outra mensagem, onde Tadeu dizia que não podia escrever muito, pois estava cuidando da saúde do Chico.
Com todas essas dores e alegrias, passei a dedicar-me ao estudo da doutrina espírita de corpo e alma. Interessei-me demais.
Muito extrovertida, agressiva e nervosa, no meu aprendizado encontrei esclarecimento para muita coisa e, graças a Deus, tudo melhorou para mim.
Chico, para mamãe e para nossos familiares, é a centelha que aquece quando a frieza das dificuldades nos atinge.
Assim, posso dizer:
“Quero conhecer cada vez mais essa doutrina maravilhosa, para poder colaborar sempre com os que mais necessitam.”
Perdoem-me a pretensão, mas hoje sou seguidora assídua do espiritismo.
Graças a deus, a mediunidade de Francisco Cândido Xavier abriu-nos o caminho para a luta contra as situações desesperadoras.

Salete Richetti Parisi

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            01- Abraão e Isac                            02- O Rei Davi                          03- O Profeta Isaías    

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 Seguem abaixo algumas obras que não constam no Conteúdo Programático da UEM e que trabalham o “Miudinho do Evangelho”, auxiliando na interpretação das passagens.

• Evangelho dos Humildes – Caps. 1 e 2
• Além das Estrelas – pág. 138
• Notícias do Bem – Cap. 01
• Elucidações Evangélicas – Págs. 61, 68 e 95
• Rimas de Amor e Luz – 179