25072017Ter
AtualizaçãoQua, 18 Jun 2014

NEY LOBO

joomplu:60 Nascido em Curitiba, em 1919, fez carreira militar e formou-se em Letras em 1936. Licenciou-se depois em Filosofia em 1964 e ainda continua militando pela Pedagogia Espírita, escrevendo e dando cursos pelo Brasil.

Viveu sempre em sua cidade natal, afastando-se apenas por curtos períodos em virtude da carreira no exército, e dedicou-se de corpo e alma à idéia e à prática da Pedagogia Espírita.

Como Pestalozzi, Ney Lobo não partiu da teoria para a prática, mas extraiu a teoria da prática. Primeiro experimentou, atuou, criou métodos e depois expôs tudo em suas obras escritas, sobretudo nos cinco volumes de Filosofia Espírita da Educação, onde explicita a conexão entre os fundamentos espíritas e as conseqüentes propostas didático-pedagógicas. Deve-se, nesse passo, levar em consideração a advertência de Herculano Pires:

"Existe a Pedagogia Espírita na própria estrutura da doutrina, mas qualquer sistematização que fizermos não será 'a', mas 'uma' Pedagogia Espírita sujeita a revisões futuras. E poderão surgir no futuro tantas pedagogias espíritas quantas se fizerem necessárias, de acordo com as diferenciações culturais que ocorrem em diversos países. A unidade desses sistemas, entretanto, será garantida pelo modelo inicial e fundamental que permanece nos princípios essenciais da doutrina. Uma pedagogia só será espírita se estiver fundada nesses princípios."

Esta assertiva de Herculano vem a propósito porque na proposta de Ney Lobo defrontamo-nos pela primeira vez com alguém que praticou e teorizou e, portanto, sistematizou princípios e propôs um método.

Nessa sistematização, reconhece-se claramente a essência da Pedagogia Espírita, mas também aparece o contexto sociopolítico em que foi inserida e a própria subjetividade do autor. Personalidade pragmática, embebida nos valores cívicos da mentalidade militar, sua experiência teve aspectos suigeneris.

Como muitos militares da época, Ney Lobo estava convencido da necessidade de "um governo autoritário de emergência, transitório", para evitar a "sublevação disciplinar dos escalões inferiores das Forças Armadas, que visava a substituir um regime dito democrático por outro, socialista e marxista." Depois, como tantos outros, que apoiaram o golpe de 64, entrou em desacordo, porque os "militares que tinham por objetivo instaurar a democracia, lograram o contrário; um governo autoritário que se perpetuou no poder." No meio tempo, porém, era preciso preparar as novas gerações para viverem a democracia. As sinceras convicções democráticas do Prof. Lobo transparecem concretamente na proposta pedagógica que geriu e, examinando os métodos e  princípios que a inspirou, o identificamos plenamente inserido na tradição rousseauniana e pestalozziana:

"De todos os princípios que poderão instruir um possível método educacional espírita, conforme se depreende, o mais fundamental é o princípio da atividade, verdadeira 'causa causans' de todo o sistema metodológico espírita. (...) o homem é essencialmente o seu Espírito; (...) o Espírito se manifesta pela sua atividade e jamais está inativo..."

Em sua proposta pedagógica foram "removidas das atividades docentes as formas e imagens do que se costuma chamar aula, com as figuras da classe-auditório e do aluno-ouvinte e do professor-orador. Ou seja, foi substituída a verbalização docente pelo trabalho discente." Esta proposta repousa não apenas no princípio da atividade, mas também nos princípios da individualização e da cooperação, constituindo-se os três "as dimensões do método espírita", porque existe uma igualdade essencial entre todos os seres, mas uma desigualdade relativa pelos diferentes graus evolutivos de cada espírito, justificada pela Doutrina Espírita ao considerar as experiências reencarnatórias de cada um, o que determina uma singularidade que jamais será superada pela própria diversidade dessas mesmas experiências. Adotando os parâmetros de Rousseau, Pestalozzi e Eurípedes, Ney Lobo também abole as punições e recompensas porque não corrigem , não educam e os educando agem unicamente por contenção e temor, além de provocarem incompreensão e, conseqüentemente, revolta.

Em 1967, Ney Lobo assumiu a diretoria do Instituto (depois colégio) Lins de Vasconcellos, construindo a cidade-mirim e realizando um dos mais marcantes feitos da Pedagogia Espírita, no Brasil.


Apesar da inegável importância da contribuição para a formulação da Pedagogia Espírita, a obra no Colégio Lins de Vasconcellos teve triste desfecho. Tendo deixado a diretoria em 1974, a proposta de Ney Lobo caiu em declínio, mas a cidade-mirim continuou a funcionar regularmente.

Referência:
http://www.portaldoeducador.com/educadorespirita/grds_educ/ney_lobo/ney_lobo.htm