22112017Qua
AtualizaçãoQua, 18 Jun 2014

Alcance e Abrangência da Evangelização Espírita da Criança e do Jovem

Ao refletimos sobre o alcance da tarefa de evangelização, chega-nos à mente todos os conceitos e definições que os evangelizadores expressam quando perguntados sobre “o que é Evangelização Espírita Infanto-juvenil?”.

Como respostas, podemos identificar: “é formar o homem de bem”; “é a transmissão do conhecimento espírita”; “é um trabalho de modificação do homem”; “é a construção de um mundo melhor”, dentre outras.

As respostas apresentadas definem exatamente o alcance da Evangelização Espírita Infanto-Juvenil, visto que “é através da evangelização que o Espiritismo desenvolve seu mais valioso programa de assistência educativa ao homem”. (1)

Comentando sobre a necessidade de se desenvolver o programa de evangelização, Leopoldo Machado destaca ser “inútil improvisar escoras regenerativas para obrigar o endireitamento de árvores que envelheceram tortas. As escoras só asseguram o crescimento correto de plantas novas, evitando que seus caules se desviem do rumo certo”.

Assim ocorre também com os seres humanos. Depois que as pessoas consolidam tendências e as transformam em viciações, que acabam por tornar-se numa segunda natureza, tudo fica sempre muito difícil quando se cogita de reformas de procedimento, em sentido profundo. “É preciso cuidemos, portanto, da criança e do jovem, plantas em processo de crescimento, ainda amoldáveis e direcionáveis para o bem maior.” (4)

Conforme sintetiza Leopoldo Machado, o processo de regeneração da Humanidade deve começar pelas crianças, ”amoldáveis e direcionáveis para o bem maior.” (4)

O programa educativo desenvolvido pela Evangelização tem em vista a modificação de comportamentos, a aquisição de conceitos e valores capazes de formar uma geração consciente da necessidade de vivenciar os princípios morais ensinados por Jesus. Evidentemente, um plano dessa envergadura, que tem como meta avançar no processo evolutivo da humanidade, conta com o apoio de Espíritos superiores que, em várias ocasiões, se manifestaram mostrando a dimensão dos resultados alcançados com a execução dessa proposta.

Apoiados na opinião desses orientadores acreditamos que os espíritos que aportam para uma nova encarnação, quando educados nos programas de evangelização, estarão preparados para auxiliar no processo de evolução da Terra rumo à categoria de Mundo de Regeneração.

A educação que se realiza por meio da evangelização possibilita a esses espíritos condições para assumir, no futuro, o papel de pais ou mães mais conscientes de suas responsabilidades, trabalhadores e empresários mais interessados no bem comum, políticos com ideais sublimes no exercício da sua função legisladora, enfim, homens e mulheres conscientes das responsabilidades que lhes cabem no processo evolutivo, tanto individual como coletivo.

Segundo Carlos Lomba, a evangelização "visa não só beneficiar a geração presente, as crianças e os jovens que no momento enfeitam a Terra com seus sorrisos e graças naturais, mas tem perspectiva muito mais ampla: é uma preparação para a vinda de Espíritos que deverão integrar, no futuro, as fileiras do Espiritismo no Mundo, erguer a bandeira do Amor Crístico em toda parte (...). É, em suma, a base angular, na qual assentaremos o futuro da Humanidade Espiritual”.(5)

Contudo, para que se consolide tão ambicioso projeto, aqueles que hoje exercem o papel de orientadores das novas gerações precisam estar mais conscientes das responsabilidades assumidas, dos objetivos da tarefa e dos processos necessários para alcançá-los.

Não basta dizer que a Evangelização formará homens de bem; é preciso executá-la dentro de princípios da qualidade, assumindo com responsabilidade o papel de evangelizador, capacitando-se para a tarefa, estudando a Doutrina Espírita, organizando os núcleos de evangelização, preparando-se para ser o mediador dessa proposta de educação moral voltada para a transformação do homem, lembrando-se, acima de tudo, que o amor está na base de todo o processo.

A educação moral, a que se realiza pela Evangelização Espírita, orienta os evangelizandos a fazer escolhas certas, torna-os mais sensíveis aos problemas dos semelhantes, amplia e aprofunda sua visão no trato com os amigos, aumenta o respeito pela família e pelos laços que os une, exercita a responsabilidade para com os animais, plantas e toda a criação divina, além de promover o espírito de colaboração e caridade.

Nesse sentido:

“A criança evangelizada torna-se jovem digno, transformando-se em cidadão do amor, com expressiva bagagem de luz para toda a vida, mesmo que transitando em trevas exteriores”.(2)

“A abrangência de o verbo educar envolve o compromisso espiritual de criar, desenvolver e estimular os valores transcendentes do ser, não se atendo, apenas, a qualquer programática exclusivista, cuja óptica distorcida limita o vasto campo das suas realizações”.(3)

(...) Antes da educação instrucional está a educação moral, e é através da moralização do ser humano que alcançaremos a felicidade.” (1)

Sabemos que os objetivos da evangelização são de longo prazo e que na maioria das vezes extrapolam a fase em que crianças e jovens frequentam as salas de evangelização. Dessa forma, o alcance do processo evangelizador poderá ser observado nas transformações comportamentais dos evangelizandos e nas atitudes e vivências coerentes com a moral cristã, constatações que já podem ser verificadas naqueles que foram alunos da evangelização e vêm assumindo seus papéis na sociedade e no Movimento Espírita.

Os depoimentos das famílias cujos filhos frequentam as aulas de evangelização, cujos relatos expressam melhorias na convivência e cooperação familiar, o entendimento sobre a caridade e o maior respeito ao semelhante e às propriedades coletivas, são as certezas de que a evangelização espírita pode, efetivamente, mudar a sociedade.

Se o alcance dos seus objetivos mais amplos constitui algo de difícil mensuração, a abrangência desse trabalho já pode ser muito bem avaliado pela adesão do Movimento Espírita à implantação dos trabalhos de Evangelização Espírita da Criança e do Jovem.

Em quase todas as Casas, Grupos, Centros ou Núcleos Espíritas, esforços são mobilizados, com empenho e incentivo, para que a evangelização das crianças e jovens “faça evidenciar os valores da fé e da moral nas novas gerações”. (1)

Essa realidade pode ser constatada na resposta de Bezerra de Menezes quando perguntado sobre o papel da evangelização na expansão do Movimento Espírita. Nessa ocasião, o excelso amigo foi enfático ao dizer que “a expansão do Movimento Espírita no Brasil, em número e em qualidade, está assentada na participação da criança e do jovem, naturais continuadores da causa e do ideal”. (1)

Dr. Bezerra de Menezes destaca, ainda, que se as crianças e jovens forem preparados adequadamente, se lhes forem incutidos no espírito a mentalidade verdadeiramente cristã, estaremos fornecendo-lhes recursos de crescimento para a responsabilidade e o dever. Somente dessa forma a Evangelização atingirá seus objetivos na expansão do Espiritismo no Brasil e na formação do homem evangelizado.

“Assim, faz-se inadiável buscarmos os serviços que nos competem junto à evangelização da criança e do jovem para que as comunidades terrestres, edificadas em Jesus, adentrem o Terceiro Milênio como alicerces ótimos de uma nova civilização que espelhe, no mundo, o Reino de Deus”.(1)

Guillon Ribeiro contempla “com otimismo e júbilo o Movimento Espírita espraiando-se, cada vez mais, nos desideratos da evangelização, procurando, com grande empenho, alcançar o coração humano em meio ao torvelinho da desenfreada corrida do século... Tão significativa semeadura na direção do porvir!”.

“Mestres e educadores, preceptores e pais colaboram, ao lado uns dos outros, em meio às esperanças do Cristo, dinamizando esforços em favor de crianças e jovens na mais nobre intenção de aproximá-los do Mestre e Senhor Jesus”. (1)

A evidência dessa união de esforços, na qual a Casa Espírita propicia a estrutura organizacional para o trabalho, os evangelizadores participam como mediadores do conhecimento espírita e os pais, conscientes de sua responsabilidade, conduzem os filhos às aulas de evangelização, resultará na construção de uma nova era para a Humanidade.

“É imperioso se reconheça na evangelização das almas tarefa da mais alta expressão na atualidade da Doutrina Espírita. Bem acima das nobilitantes realizações da assistência social, sua ação preventiva evitará derrocadas no erro, novos desastres morais, responsáveis por maiores provações e sofrimentos adiante, nos panoramas de dor e lágrima que compungem a sociedade, perseguindo os emolumentos da assistência ou do serviço social, públicos e privados.” (1)

O alcance e a abrangência da Evangelização Espírita dependem, dessa forma, dos objetivos estabelecidos, da qualidade dos programas, da responsabilidade com que os evangelizadores realizam seu trabalho, procurando atingir a dimensão espiritual dos evangelizandos e do esforço que o Movimento Espírita faz para implantá-la e valorizá-la em todas as suas Instituições, visto que:

É através da evangelização que o Espiritismo desenvolve seu mais valioso programa de assistência educativa ao homem.” (1)

Referências Bibliográficas

1.  A Evangelização Espírita da Infância e da Juventude na Opinião dos Espíritos. 3. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1986. Separata do Reformador, p.10, 26, 28, 30,32. Out. 1982.

2. Franco, Divaldo Pereira. Evangelização - Desafio de Urgência. Terapêutica de Emergência. Diversos Espíritos. Salvador, BA: LEAL, 1983, p. 23-25.

3. Educação Espírita. Antologia Espiritual. Por diversos Espíritos. Salvador, BA: LEAL, 1993, p. 34.

4. Machado, Leopoldo. Campo Fértil. Reformador. Rio de Janeiro, v. 100, n. 1843, p. 308. Out. 1982.

5. PAIVA, Maria Cecília. Evangelização em marcha. Garimpeiros do além. Juiz de Fora, MG: Instituto de Maria, 1985, p. 156-157.