22112017Qua
AtualizaçãoQua, 18 Jun 2014

Didática de Ensino

EVANGELIZADOR

“Que fazes do poder dialético da constelação de causas e efeitos que puseram em tuas mãos como um colar de estrelas e de sóis?
Que fazes, espírita, do ministério revelado
Erguendo a lápide como Lázaro?
Queres dormir ao som de rezas e promessas?
Queres sonhar com fadas e gnomos
Revividos em guias protetores
Quando o combate é teu, a luta é tua, é tua a experiência
Ninguém pode abrir
O desvão de pedra que te compete
Que pertence às tuas mãos e aos teus ombros?

Ouve, ouve ao longe, sacudindo continentes e oceanos,
O soluço do mundo
Ouve o coro
Não dos anjos celestes nimbados de luz
Mas dos anjos famintos e sujos
Fenecendo como flores na lama!
Ouve o urro dos irmãos convertidos em chacais
E atira-te
Atira-te
Atira-te
A construir sobre o sangue e as lágrimas
Certo
Sereno
Firme
Seguro
Confiante
Como o ferreiro que conhece o poder do martelo
O ritmo da forja.
Caminha firme para a frente!
Não mais o crucifixo, a morte, o luto, o desespero,
A câmara fúnebre,
Não mais a paixão e as trevas, a lança e os cravos,
Mas a ressurreição
A vida
O espírito
A alvorada fremindo em teus olhos
Como um pássaro na vertigem do vôo
Para que a terra se eleve
Estrela e sol
Grito e clarão
Sonho e aroma
Flor e fruto
Relâmpago e trovão
Na escala dos mundos.
Essa a tua missão
Oleiro esquecido no barro da terra.
Esse o teu dever,
Ergue o planeta nas mãos
Vaso Modelado por ti mesmo
Amassado em teu sangue e em tuas lágrimas.
Ergue-o dos dedos
Ardente e sonoro
Como um cântaro fresco.” (1)

Mensagem do Professor José Herculano Pires

CONCEITOS DE DIDÁTICA DE ENSINO VOLTADOS À EDUCAÇÃO ESPÍRITA

INTRODUÇÃO

Ao longo dos tempos, a educação se organizou através de vários processos de ensino que sistematizaram em conteúdos e maneiras de ensinar o saber gerando diferentes práticas pedagógicas, que viabilizaram a transmissão e assimilação do ensino e contribuíram para a construção das relações humanas e da sobrevivência das mesmas.

Com o avanço da tecnologia, foi necessária a ampliação dos recursos pedagógicos, confirmando assim, a didática como um conjunto de regras, normas e técnicas que trata dos meios e processos, da forma e da organização do sistema de ensino.

Isso leva-nos a compreensão de que o conhecimento não é algo pronto e acabado, mas algo em constante movimento e transformação.

1. CONCEITO DE DIDÁTICA

Didática vem do grego, didaktiké, que quer dizer arte de ensinar. Metodologia do Ensino, conjunto de regras e normas prescritas visando à orientação do ensino e do estudo.(2)

Os coordenadores e evangelizadores de juventude que desejarem tornar os ensinos mais eficientes buscaram na didática os recursos que irão atender as necessidades dos estudos evangelicos-doutrinários nas juventudes espíritas.

A didática oferece esse conjunto de recursos que poderá ser aproveitado para a direção e incentivo de novos conceitos de aprendizagem, possibilitando o despertar da realidade e da responsabilidade de forma consciente que contribuirá para a transformação moral do evangelizando.

Educar os jovens com sabedoria significa, ademais, prover a que sua alma seja preservada da corrupção do mundo; favorecer – para que germinem com grande eficácia – as sementes de honestidade que neles encontram, por meio de ensinamentos e exemplos castos e assíduos; enfim, infundir nas mentes o verdadeiro conhecimento de Deus, de si mesmo e das várias coisas, a fim de que se habituem a ver a luz na luz de Deus, e a amar e venerar o Pai de todas as luzes acima de todas as coisas. (...) (3)

Portanto evangelizador:

A arte de ensinar, vai depender muito do jeito, da intuição e da capacidade de buscar, de perceber, de sentir e compreender o que o evangelizando esta passando.

“(...) Quando essa arte for conhecida, compreendida e praticada, o homem terá no mundo hábitos de ordem e de previdência para consigo mesmo e para com os seus, de respeito a tudo e que é respeitável, hábitos que lhe permitirão atravessar menos penosamente os maus dias inevitáveis. (...)” (4)

Assim, é necessário que o evangelizador esteja ciente da importância de sua tarefa em relação à vida do jovem para superar os obstáculos de várias naturezas, perseverar no trabalho anônimo e seguir o roteiro na colaboração da educação juvenil.

REFLEXÃO...

 

O EXERCÍCIO É INICIADO PELOS PRIMEIROS RUDIMENTOS, E NÃO COM OBRAS JÁ ACABADAS

“O carpinteiro não ensina ao aprendiz que a primeira coisa a ser feita é construir torres e castelos, mas segurar o machado, cortar a madeira, esquadriar as traves, perfurar as tábuas, pregar pregos, ligar as traves etc. Tampouco o pintor pede ao aluno que logo de ínicio pinte retratos de pessoas, mas ensina-lhe a misturar as cores, a preparar os pincéis, a traçar linhas, a tentar os primeiros esboços etc. Quem ensina uma criança a ler não deverá pô-lhe prontamente diante dos olhos todo o contexto de um livro, mas começar com os primeiros elementos, tomando as letra uma a uma, reagrupando-as depois em sílabas, em palavras e finalmente em frases. Mesmo a quem inicia os estudos de gramática é preciso antes mostrar com declinar cada palavra, para depois, ensinar a dispô-las duas a duas, a formar em seguida uma oração, a criar períodos e de todo o discurso. Assim, na dialética, os alunos devem antes aprender a distinguir as coisas e os conceitos das coisas por gêneros e diferenças, para depois coordená-las segundo os nexos que elas sempre têm entre si, e em seguida definir, classificar e finalmente avaliar as coisas em conjunto com seus conceitos: devem ser feitas as perguntas o quê, a partir de quê, por quê, e de maneira necessária ou contingente? Só depois de longos exercícios desse tipo se chegará ao ato de raciocinar, ou seja, de perguntar de que modo, dadas e concedidas certas premissas, se deduz o resto; finalmente, chega-se ao discurso, vale dizer, à exposição completa de certos temas. Também em retórica serão rápidos os programas se durante certo tempo o aluno se exercitar a reunir sinônimos, para depois interligar adjetivos, substantivos, verbos e advérbios; a seguir passará a ilustrá-los com antíteses e a variar o modo de falar por meio de perífrases; depois disso, aprenderá a trocar termos próprios por metáforas, a deslocar os termos conjuntos com vistas à boa harmonia dos sons, e a transformar as frases simples em figuradas; só quando souber fazer tudo isso, o aluno passará a cuidar em embelezar discursos inteiros, mas não antes. Se em todas as artes se avançar gradualmente, será impossível deixar de obter proveitos rápidos e duradouros. (5)

2. A EDUCAÇÃO ESPÍRITA E SUA DIDÁTICA DE ENSINO

“ Por meio do Espiritismo, a Humanidade tem que entrar numa nova fase, a do progresso moral que lhe é conseqüência inevitável. Não mais, pois, vos espanteis da rapidez com que as idéias espíritas se propagam. A causa dessa celeridade reside na satisfação que trazem a todos os que as aprofundam e que nelas vêem alguma coisa mais do que fútil passatempo. Ora, como cada um o que acima de tudo quer é a sua felicidade, nada há de surpreendente em que cada um se apegue a uma idéia que faz ditosos os que a esposam.
Três períodos distintos apresenta o desenvolvimento dessas idéias: primeiro, o da curiosidade, que a singularidade dos fenômenos produzidos desperta; segundo, o do raciocínio e da filosofia; terceiro, o da aplicação e das conseqüências. O período da curiosidade passou; a curiosidade dura pouco. Uma vez satisfeita, muda de objeto. O mesmo não acontece com o que desafia a meditação séria e o raciocínio. Começou o segundo período, o terceiro virá inevitavelmente. (...) – conclusões” (6)

Como pode a alma, que não alcançou a perfeição durante a vida corpórea, acabar de depurar-se?”
“Sofrendo a prova de uma nova existência.”. (6)

A educação é mudança de hábitos e posturas íntimas que exige o contributo do tempo na esteira da paciência, a fim de logra alteração no indivíduo, predispondo-o a ser um legítimo cidadão, cumpridor de seus deveres, ao mesmo tempo lapidá-lo para a vida de relações interpessoais, tornando-o mais afável e portador de uma convivência agradável.

Assim, para os adeptos do espiritismo cumpre o dever moral de aproveitar o contato com as verdades, iluminando-se no rumo da plenitude, e ao travar contato com a superior pedagogia do espírito portar-se como tal.

 

Allan Kardec sabiamente soube situar a educação como fator imprescindível para a formação do Homem de Bem.

2.1 A DIDÁTICA DE KARDEC

“Jesus criou a Didática Naturalista, que se funda nas leis e delas se serve para o ensino espontâneo. Todas as suas lições eram dadas em termos comparativos, sem artifícios, com simplicidade e naturalidade (...).

 

A Pedagogia de Jesus e sua didática renascem com Pestalozzi, que as transmite a Kardec (...).

 

Vemos todos os elementos da categoria cristã do natural restabelecidos nesse episódio histórico e pedagógico para assinalar os tempos novos como a era do Consolador. Por isso a didática de Kardec seguirá a mesma linha naturalista da didática de Jesus, empregando a linguagem da simplicidade e os métodos naturais da razão e da intuição (...).

 

Vejamos como Kardec descreveu o método do professor discípulo de Pestalozzi: “Toma a criança ao sair das mãos da Natureza para acompanhá-la em seu desenvolvimento. Considera como se

 

desenvolve as suas idéias, estuda as suas necessidades e as suas faculdades. Depois de numerosas observações estabelecer um método que consiste essencialmente em aproveitar as faculdades que a criança recebeu da Natureza, a fim de proporcionar-lhe um raciocínio sadio e acostuma-la a pôr em ordem as suas idéias. O professor procura desenvolver na criança o espírito de observação e a memória, porque a criança nasce observadora e o seu espírito de curiosidade e da análise precisa apenas de uma ajuda mínima. Basta ao professor ser ao mesmo tempo amável e severo.”

 

Kardec resume os seis princípios fundamentais do sistema pestalozziano, que empregava em suas obras didáticas e empregará a seguir no ensino espírita:

 

1. Cultivar o espírito natural de observação do educando, chamando-lhe a atenção para os objetivos que o rodeiam.
2. Cultivar-lhe a inteligência, seguindo a marcha que possibilite ao aluno descobrir as regras por si próprio.
3. Partir sempre do conhecimento para descobrimento, do simples para o composto.
4. Evitar toda atitude mecânica, fazendo o aluno compreender o alvo e a razão de tudo o que faz.
5. Faze-lo apalpar com os dedos e com a vista todas as realidades.
6. Confiar à memória somente aquilo que já foi captado pela inteligência.” (7)

2.2 A DIDÁTICA DE “O LIVRO DOS ESPIRÍTOS”

Embora não encontremos no índice do Livro dos Espíritos uma referência direta à educação, recorreremos as anotações do professor Herculano Pires: “A Educação Espírita brota desse livro como água da fonte: expontânea e necessária. Logo na Introdução temos um exemplo disso. Não se trata apenas de introdução à obra, mas à Doutrina Espírita. Ao invés de uma justificativa e uma explicação do livro, temos uma abertura para uma compreensão de todo o seu conteúdo e até mesmo da posição do Espiritismo no vasto panorama da cultura terrena (...)” (8)

SUA ESTRUTURA APRESENTA:

  • A existência de Deus
  • Os problemas da criação
  • A natureza espiritual do homem
  • O homem no contexto universal
  • A imortalidade da alma
  • A relação entre o mundo material e o espiritual
  • As Leis Divinas
  • Penas e recompensas futuras

É uma obra analisada, comentada e organizada por um educador: Allan Kardec.

O Livro dos Espíritos, realmente é uma obra literária de mais amplo e profundo sentido. Sua proposta e da pedagogia integral, considerando o educando um espírito reencarnado que precisa trabalhar suas potencialidade intelectuais e emocionais.

Transformai-vos pela renovação de vossa mente, para que proveis qual é a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” (9)

3. OBJETIVOS DA DIDÁTICA NAS JUVENTUDES ESPÍRITAS

A Didática tem como objetivo possibilitar, de maneira mais eficiente, os conceitos de ensinar, tais como:

  • Tornar o estudo e, consequentemente, a aprendizagem mais eficiente.
  • Orientar, conforme a idade evolutiva dos evangelizandos de forma a auxiliá-los em função de seus esforços de aprendizagem.
  • Tornar o estudo adequado à realidade e às necessidades do grupo.
  • Adequar o estudo as possibilidades e necessidades dos evangelizandos.
  • Orientar o planejamento dos conteúdos, a fim de que haja continuidade e unidade para que os objetivos sejam e alcançados com eficiência.
  • Organizar os estudos para evitar perdas de tempo e esforços inúteis.

A tarefa de evangelização do jovem espírita requer amor, renúncia e muito devotamento por parte daqueles que administram os ensinamentos, por tanto, é necessário que o evangelizador esteja sempre buscando o conhecimento evangélico-doutrinário, o planejamento das tarefas e disciplina para executá-las.

Assim, auxiliará na verdadeira educação que transformará a Terra num mundo mais feliz.

O JOVEM DE HOJE SERÁ O ADULTO DE AMANHÃ.

 

 

“Que supremo regozijo o de quem consegue amar alguém a ponto de se tornar uma referência vital para o progresso da alma amada! Que único e verdadeiro poder o de ter a capacidade de entregar o outro a si mesmo, ao que ele tem de melhor dentro de si! (...)" (10)

 

 

4. PRINCIPAIS ELEMENTOS DA DIDÁTICA

O Evangelizando:

“Vede prudentemente como andeis.” – Paulo (Efésios, 5:15) (9).

  • Motivo fundamental de toda estrutura didática.
  • Espírito encarnado detentor de virtudes e vícios, que soma às tendências do passado as experiências recém-adiquiridas e que necessita se ajustar perante as leis divinas.

O Evangelizador

“E vós, irmãos não vos canseis de fazer o bem.” - Paulo (II Tessalonicenses, 3:13) (9).

  • Responsável por determinada tarefa.
  • Instrumento no processo de evangelização com Jesus.

*Cabe ao evangelizador buscar aperfeiçoar seus métodos didáticos, pois é necessário saber transmitir seus conhecimentos com prudência e discernimento conforme as necessidades do grupo.

O Planejamento

“...As obras que eu faço em nome de meu Pai, essas testificam de mim.” – Jesus (João, 10:25) (9).

  • É uma necessidade do ensino, sem ele não é possível um bom desempenho da tarefa.
  • Prevê a melhor maneira da consecução dos objetivos e da prática de ensino.

Objetivos

“Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdade, tudo o que pé honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude e se há algum louvor, nisso pensai.” - Paulo (Filipenses, 4:8) (9)

  • Auxiliar na reforma íntima do evangelizador, levando-o a aquisição de novos conhecimentos.
  • Buscar sensibilizar o evangelizando para a análise de sua personalidade e prepara-lo para atuar na seara espírita, conforme identificação no campo de trabalho.

Currículo:

“Conserva o modelo das sãs palavras.”- Paulo (II Timóteo) (9)

  • Diretrizes norteadoras.
  • Plano geral de aprendizagem.
  • Tipos de experiências a serem vivenciados por todos os envolvidos na evangelização.

Conteúdos:

“E eu vos digo a vós: pedi, e dar-se-vos-á; buscai e achareis: batei, e abrir-se-vos-á.”- Jesus (Lucas, 11:9) (9).

  • Representa o que deve ser ensinado.
  • Visa o alcance dos objetivos da evangelização.
  • Conjunto de ensinamentos que devem ser vivenciados pelo evangelizando em uma atividade.

* As elaborações dos conteúdos devem ser selecionadas visando as realidades de aprendizagem dos evangelizandos, as relações com o meio ou ambiente onde ele vive e das possibilidades da Casa Espírita.

Dinâmicas de ensino e de integração:

“Todas as vossas coisa sejam feitas com caridade.”- Paulo (I Coríntios, 16:14) (9).

  • Possibilita a participação do evangelizando naquilo que esteja sendo ensino.
  • Auxilia a compreensão dos conteúdos ensinados.
  • Serve como “meio” para o alcance da aprendizagem.

Avaliação:
“Permaneça o amor fraternal”.– Paulo (Hebreus, 13:1) (9).

  • Visa saber se o planejamento foi bem feito, tendo em vista as necessidades reais do ensino, do material didático, da integração com a aprendizagem e da direção das atividades.

BILBIOGRAFIAS COMENTADAS

  1. INCONTRI, Dora. Pedagogia Espírita: um projeto brasileiro e suas raízes. 1ª ed. Bragança Paulista, SP. Editora Comenius, 2004.
  2. Repensando a Didática / colaboradores Antonio Osina Lopes ... [et al.]; coordenadora Ilma Passos Alencastro Veiga. – 5ª ed. – Campinas, SP: Papirus, 1991
  3. COMENIUS. Didática magna; tradução Ivone Castilho Benedetti. – 2ª ed. – São Paulo: Martins Fontes, 2002.
  4. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 70ª ed. FEB. Brasília – DF. Pág. 120. Q. 685
  5. COMENIUS. Didática magna; tradução Ivone Castilho Benedetti. – 2ª ed. – São Paulo: Martins Fontes, 2002.
  6. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 70ª ed. FEB. Brasília – DF. Pág. 331. Q. 166
  7. Pires, J. Herculano. Pedagogia Espírita. 2 ª ed. São Paulo: Ed. Edicel, 1986.
  8. Pires, J. Herculano. Pedagogia Espírita. 2 ª ed. São Paulo: Ed. Edicel, 1986.
  9. ALMEIDA, João Ferreira de. A Bíblia Sagrada. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 1995
  10. INCONTRI, Dora. Educação Segundo o Espiritismo. 14ª ed. São Paulo. Editora Comenius, 2000.