18102017Qua
AtualizaçãoQua, 18 Jun 2014

Evangelização e Qualidade

A AÇÃO EVANGELIZADORA EM BUSCA DA QUALIDADE

1. Conceitos de Qualidade.

Para conceituar Qualidade buscamos seu significado no dicionário Aurélio. Qualidade é dote, dom, virtude.

Na definição de Antônio Houaiss, qualidade é compreendida como uma “estratégia de gestão em que se procura otimizar a produção e reduzir os custos”.

O conceito de qualidade e qualidade total vem sendo usado no mundo da administração empresarial com significado muito específico. É o sinônimo de melhoria contínua, conformidade com os requisitos e adequação ao uso, observados critérios como custos, controles internos e prazos, dentre outros.

Ao longo do tempo o conceito de qualidade evoluiu e ampliou-se, tornando possível sua aplicação  várias  áreas de trabalho e de vida em sociedade. Relacionamos a seguir alguns  conceitos de Qualidade:

  • Segundo Joseph Juran, "qualidade é adequação ao uso."
  • Qualidade, no sentido amplo, não se refere apenas ao produto e serviços, estende-se às pessoas, tarefas, equipamentos e programas motivacionais.
  • Qualidade Total é o conjunto de ações previamente planejadas e implementadas que visem alcançar a satisfação do cliente, através da utilização adequada de todos os recursos envolvidos: humanos, materiais, financeiros e equipamentos.
  • Crosby aborda qualidade como sendo baseada no comportamento das pessoas, considerando a educação de todos os indivíduos da empresa um fator fundamental, e define qualidade como fazer bem desde a primeira vez, o que sugere que a atuação deve estar na prevenção de defeitos.
  • Segundo a American Society for Quality Control, a qualidade é “a totalidade dos requisitos e características de um produto ou serviço que estabelecem a sua capacidade de satisfazer determinadas necessidades.”
  • "Qualidade é alcançar a excelência."

Como existem variadas definições de qualidade é difícil ter-se uma postura definitiva diante dessa idéia. Mas sabemos que a Qualidade no trabalho, na escola, na produção de bens, na prestação de serviços ou em casa chegou para ficar. Em qualquer atividade humana, a busca da qualidade tornou-se consenso.

Dessa forma, Programas de Qualidade são acima de tudo, programas de transformações, de indivíduos e de processos e devem desenvolver-se num ambiente onde as pessoas possam crescer, expandindo sua capacidade criativa.

Acreditamos poder trazer essa idéia adequando-a ao trabalho de  Evangelização Espírita Infanto–Juvenil, respeitando suas características específicas, mas aproveitando os princípios que a norteiam, com vistas ao alcance da Excelência.

Para implantar níveis elevados de qualidade na Evangelização, imaginamos um plano simples, mas com objetivos claros e bem definidos. Selecionamos alguns  princípios  da qualidade procurando fazer sua adequação ao processo e aos elementos da Evangelização.

Princípios da Qualidade analisados sob a ótica da Evangelização Espírita:

1 - Satisfação da população alvo – Evangelizando e evangelizador.

Uma questão sempre presente, para os envolvidos no trabalho de evangelização é se todos os esforços que empregados na sua melhoria são válidos? A resposta a essa problemática levanta outras importantes indagações. -De que adianta tanto trabalho se não conhecemos adequadamente nosso público-alvo? – Quem deve ser o foco do trabalho de evangelização, o evangelizador ou o evangelizando?

A resposta nos parece obvia: o foco è o evangelizando.  Mas, essa é uma reflexão importante para o direcionamento de todo o trabalho, pois implica em saber a maneira mais eficiente de atingir esse evangelizando.

Nesse sentido, o evangelizador necessita conhecer seu público-alvo, seus interesses e características gerais, bem como as peculiaridades que os tornam singulares em seus processos de desenvolvimento e aprendizagem. Com o conhecimento pleno da realidade da Evangelização conseguiremos criar uma interação, com menos preconceitos e censuras, que permita aos evangelizandos, mostrarem-se como realmente são. Permitindo-nos assim adequar as aulas às suas reais possibilidades.

Um Departamento de Evangelização envolvido na Filosofia da Qualidade deve tornar claro que trabalha em função do seu “cliente” mais destacado – o evangelizando –, sendo seu propósito maior enriquecê-lo como ser humano e cidadão, e que, para tanto, deve empregar os processos e desenvolver as atividades mais promissoras, interessantes e variadas, visando ao alcance dessa finalidade primeira.

Resumindo o que significa satisfação do cliente na Evangelização: em primeiro lugar é conhecer o evangelizando, saber identificar as suas necessidades e o que é preciso para resolver os seus problemas. Como segunda condição criar uma interação saudável, pois, quanto mais estreita for essa relação, mais produtivo será o trabalho.

2 - Organização hierárquica e administrativa da Evangelização.

 

A atividade de Evangelização Espírita no Centro é um empreendimento que desafia os dirigentes, não só pela sua importância e oportunidade, como, principalmente, pela sua complexidade, pois exige uma equipe com habilitação específica para que possa ser desenvolvido.

Nas instituições espíritas, muitas vezes, o modelo de gestão adotado torna difícil a melhoria do trabalho de evangelização. São modelos centralizadores, com hierarquias muito rígidas e com pouca divisão de tarefas. Tais modelos impossibilitam a troca de experiências e subaproveitam as habilidades, e até mesmo os talentos, dos colaboradores da tarefa.

É claro que esse tipo de gestão não é adotado com o intuito de dificultar o trabalho e, sim, de protege-lo. Todavia, o Espiritismo no Brasil já possui uma boa aceitação e um número muito grande de colaboradores de modo que talvez não haja necessidade de torná-lo tão hermético. A Casa Espírita precisa implantar um modelo de gestão que ofereça espaço de trabalho aos que desejam realizar tarefas voluntárias, aprender a formar equipes, dividir tarefas e melhorar o processo de comunicação entre os colaboradores. Essa é uma forma de agregar mais pessoas às atividades e principalmente à evangelização espírita.

É importante que os trabalhadores tenham liberdade para desempenhar seu papel, com interesse, inteligência e, sobretudo, com satisfação. As novas idéias devem ser estimuladas e a criatividade deve ser uma máxima dentro da atividade de Evangelização.

Assim, 2º princípio considerado para implantar a qualidade total na evangelização é repensar a estrutura organizacional da Casa Espírita.

3 -Preparação do evangelizador

 

 

“E tudo que fizeres, faça com amor.”

Este princípio orienta todas as ações que buscam a evolução pessoal e pedagógica e doutrinária do evangelizador.

A primeira preocupação do evangelizador, ao receber crianças e jovens para evangelizar, é a de ter uma consciência firme de que vai oferece-lhes para reflexão o conhecimento do Espiritismo e do Evangelho de Jesus. O evangelizador deve ter convicção da proposta de educação espírita, considerá-la de fato importante e significativa para os evangelizandos, sentir que tem algo relevante a trabalhar com esse grupo, que supera o senso comum, que é algo novo e bom; autovalorizar-se e valorizar a tarefa. Se o próprio evangelizador não estiver convencido da relevância do que ensina, como poderá ser capaz de despertar no o evangelizando a vontade de estudar? Esta convicção lhe dá autoridade. Deve, então, acreditar profundamente naquilo que está propondo, querer efetivamente ensinar e, mais do que isto, querer que o evangelizando aprenda.
Assim, o evangelizador, antes de tudo, deve estudar ininterruptamente a Codificação Espírita. Outro comportamento que deve ser buscado é o interesse pelas produções culturais e intelectuais da nossa sociedade. Com esses conhecimentos ele terá arcabouço para cumprir o que se propôs: auxiliar na formação do homem integral.

A segunda preocupação é descobrir quais os caminhos, técnicas e recursos podem ser usados para refletir sobre a Doutrina Espírita com as crianças e aos adolescentes. É por amor às crianças e aos jovens que alguém se torna evangelizador. Todavia, ao tornar-se evangelizador por ideal, por entender o alcance dessa tarefa, necessita procurar os recursos necessários a um bom desempenho, como pré-requisito, à tarefa que pretende realizar.

Além de desenvolver as habilidades descritas acima o evangelizador deve estar sempre atento à forma como trabalha em sala de aula. A busca constante por novos conhecimentos didáticos e pedagógicos é outra condição essencial ao evangelizador. Assim, o aperfeiçoamento como evangelizador e o desenvolvimento humano fazem parte do 3º princípio da qualidade total.

4 – Constância dos objetivos e unidade do trabalho.

 

Qualidade não é algo que se instala, estabelece ou institui de uma única vez. Trata-se de uma conquista ou construção, ao longo do tempo, através de um aperfeiçoamento contínuo. A Qualidade na Evangelização deverá ser buscada a cada passo do processo e não através de uma simples avaliação ao final do ano.

Em termos práticos, é necessário estabelecermos uma unidade em suas diretrizes, objetivos e métodos. Essa preocupação evitaria alterações na Doutrina Espírita que a transformariam em um conjunto de idéia e práticas incoerentes.

Não há possibilidade de se atingir a qualidade no trabalho de Evangelização e nem a sua unidade, sem que se tenha clareza sobre onde queremos chegar.

Outra providência necessária é a adoção de um currículo de ensino que não consiste, apenas, numa relação de assuntos tomados e descritos aleatoriamente. Um currículo de ensino deve levar em conta uma linha filosófica e doutrinária, uma fundamentação psicológica, uma orientação didático-pedagógica, conteúdos mínimos a serem selecionados e processos de avaliação.

Esse conteúdo deve ser significativo – relacionado às reais necessidades dos educandos; crítico – que vá à raiz dos problemas, que supere as aparências; que veicule valores cristãos de – justiça, solidariedade, verdade, paz, caridade, amor, etc.

Se faltar a unidade de princípios, a de conceitos e a de objetivos, por certo caminharemos por estradas tão diferentes impossibilitando um encontro futuro dentro da mesma visão doutrinária. Esta unidade não se refere à uniformização de métodos, técnicas e procedimentos didáticos, que podem variar, mas sim ao conteúdo doutrinário do ensino que precisa ser fiel à Doutrina Codificada por Kardec.

 

5 - Aperfeiçoamento contínuo do Evangelizador.

Leia sempre!

Não há possibilidade de aperfeiçoar o que não se pode medir. Portanto, saber avaliar os resultados dos esforços empreendidos é um princípio fundamental na busca da qualidade,  que conduz ao aperfeiçoamento contínuo.

As evidências de qualidade devem ser buscadas a cada etapa do processo de evangelização, quando ainda há tempo de evitar a repetição de erros e a proliferação de problemas. O importante, para uma instituição que pretender desenvolver uma Evangelização de qualidade, é detectar, através de avaliações constantes, problemas de ensino e aprendizagem relacionados às aulas de evangelização, e, em seguida efetuar o auxílio pedagógico necessário, para que tais problemas não afastem do trabalho os evangelizadores e das aulas, os evangelizandos.

O aperfeiçoamento contínuo pressupõe capacitação e atualização constante dos trabalhadores e, constitui, um pilar fundamental de sustentação do trabalho. A principal exigência, em termos de conhecimento, que se deve fazer em relação ao preparo daquele que se propõe evangelizar, é a do domínio prévio do Espiritismo. Em segundo plano vem a tecnologia aplicável às experiências de aprendizagem que são organizadas para evangelizandos de diversas faixas estarias ou, em outras palavras, as técnicas empregadas no desenvolvimento das aulas e essas condições podem ser adquiridas ao longo do trabalho.

As ações de capacitação devem ter como objetivo aprimorar, tanto o conhecimento, como a técnica. Entretanto, ela torna-se realmente efetiva quando, além da preparação instrucional, cognitiva, busca desenvolver seres humanos mais dedicados ao trabalho e, acima de tudo, mais compromissados com os resultados que a evangelização busca alcançar.

Portanto, é fundamental criar indicadores de qualidade que retratem as metas, os objetivos e os procedimentos do trabalho. Em cima desses indicadores é que vamos trabalhar, buscando um aperfeiçoamento contínuo.

6 - Planejamento, execução e gerenciamento dos processos.

Estude e aprenda!
Gerenciar processos é planejar, executar, verificar se há erros e fazer correções, quando necessário.

Todo trabalho deve ser planejado, levando-se em conta as peculiaridades de cada Casa Espírita, as facilidades e dificuldades dos colaboradores e os evangelizandos que são os seus freqüentadores.

Estamos nos referindo a um planejamento global da Evangelização, onde  se estabelecem os objetivos, o cronograma de atividades anual ou semestral, as responsabilidades, deveres e tarefas de cada colaborador ou setor de trabalho  e  a definição dos conteúdos das aulas relativos a cada ciclo de evangelização.

O planejamento é o organizador de todo trabalho.Por meio do planejamento podemos prever as necessidades dos colaboradores, programar as atividades antecipadamente, acompanhar o desempenho de evangelizandos e evangelizadores e corrigir os rumos, se necessário.Sua ausência impossibilita a avaliação dos resultados  ou se a equipe está  feliz e comprometida.

Se o planejamento da Evangelização como um todo é importante para a sua organização e o funcionamento, indispensável é o planejamento das aulas. Essa é uma tarefa que deve ser realizada pelos evangelizadores, com a assistência e o apoio do coordenador e ou de companheiros mais experientes.

Para ajudar o evangelizador no seu  planejamento o Movimento Espírita tem um documento orientador, o Currículo para a Evangelização que  seleciona e delimita o conteúdo de ensino a ser trabalhado com cada uma das faixas etárias que compõe o nosso público alvo e dá os indicativos da metodologia de ensino a ser utilizada.

Servindo-se desse documento o evangelizador tem o caminho e as diretrizes para elaborar com mais segurança o planejamento das aulas.

7 -Liderança e trabalho de equipe.

“O trabalho em equipe constrói uma liderança mais eficaz.”

 

O sucesso na delegação de trabalho depende, da capacidade de identificar corretamente, o que e para quem delegar.

Os dirigentes da evangelização, que já percorreram uma caminhada assumindo compromissos como evangelizadores coordenadores ou colaboradores, trazem para a liderança uma bagagem de experiências que se somarão às da equipe que coordena e, têm o dever de imprimir ao trabalho a marca da qualidade, da responsabilidade e da disciplina.

A partir do momento em que um grupo de pessoas se une  para construir, em conjunto, um trabalho de evangelização, faz-se necessário estabelecer formas de organização, pois, considerando-se a diversidade  de opiniões dos colaboradores, um ponto de encontro deve ser estabelecido e normas de funcionamento implantadas.

Uma organização administrativa com Equipe Diretiva ou Equipe de Trabalho, composta pelo diretor, por coordenadores de setores e outros colaboradores da evangelização que desempenham funções estratégicas, de modo que haja um compartilhamento de responsabilidades e um efetivo intercâmbio de idéias e experiências propicia a delegação de tarefas. Ressalta-se, nesse sentido, que tal estrutura favorece a construção de uma cultura de co-responsabilização, visto que todos assumem o compromisso pelo planejamento, execução e avaliação das ações desenvolvidas, além de possibilitar melhorias gradativas à evangelização, à continuidade do trabalho e à permanência dos colaboradores.

Obviamente, a constituição de uma equipe de coordenação não exclui a presença e ação do líder, visto que a coordenação deve oferecer a diretriz norteadora do trabalho, certificando-se de que os caminhos adotados conduzem ao alcance dos objetivos estabelecidos.

A liderança, por sua vez, deve ser exercida considerando-se as habilidades e particularidades de todos os membros da equipe, de modo que os diferentes talentos possam ser somados com vistas ao êxito da tarefa.

É fundamental também, que os dirigentes desenvolvam uma característica essencial ao sucesso de sua atividade: a liderança. O líder busca a cooperação, preocupando-se em tornar a atividade interessante e oferecendo as melhores condições possíveis de trabalho; tudo isto numa atmosfera contagiante de energia e entusiasmo. O líder envolve ativamente o pessoal na tarefa, ouvindo e acatando suas propostas, fazendo com que participem das decisões e elogiando o esforço individual e coletivo.

Nesse sentido, verifica-se que o comprometimento com a qualidade deve ser de todos os envolvidos, que precisam buscar, diária e constantemente, a melhoria da evangelização em todos os seus aspectos.

Que se lance mão de todos os recursos possíveis para que a equipe de trabalho se torne amiga, respeitosa e feliz. Muitas são as dificuldades quando tentamos fazer um bom trabalho, e a alegria, a motivação e o respeito mútuo contribuem para que os espíritos amigos da tarefa inspirem-nos, auxiliem – nos na superação das nossas deficiências e nos dêem  boas idéias para que possamos contribuir efetivamente para o sucesso da evangelização espírita.

Essa proposta de coordenação e delegação de tarefas é difícil, pois o trabalho em equipe exige inúmeras qualidades do líder, mas certamente resultará num grupo coeso, feliz e comprometido com a tarefa. O grande desafio é ser um líder responsável, amigo, leal e principalmente, ser líder de uma equipe “pensante”. Todos os componentes da equipe, independentemente da idade cronológica que possuem, podem colaborar com o trabalho.

8 – Melhoria na comunicação e na difusão das informações.

O sucesso  na implantação de um programa de qualidade depende em grande parte da comunicação eficiente entre os colaboradores.Fazer com que todos tomem conhecimento das ações que serão realizadas e quais os responsáveis, assegura  o cumprimento das propostas  e  projetos estabelecidos.

Dessa forma nas atividades de evangelização torna-se indispensável manter em funcionamento um canal de comunicação permanente com aqueles que utilizam os seus serviços (a Sociedade, as Famílias e os Evangelizandos), a fim de clarificar o que almejam e, a partir daí, definir como satisfazer o nível de expectativa dos participantes.

Assim, nas atividades de evangelização as informações devem  estar disponíveis em locais de fácil acesso e ou comunicadas diretamente aos trabalhadores.

Também, os pais ou responsáveis, que estão diretamente ligados ao trabalho de evangelização devem ser informados de todas as atividades, de modo que possam funcionar como colaboradores, integrados e comprometidos com os ideais da evangelização.

9 - Garantia da qualidade e comprometimento com a tarefa.

A qualidade na escola de evangelização espírita  representa um novo paradigma que acreditamos ser necessário adotar. Um paradigma que exige comprometimento e trabalho incessantes.

O programa da qualidade na evangelização deve ter outra característica que a faz destacada; é a. busca permanente pela satisfação.

Muitos acham que nunca se satisfazer é uma idéia negativa, mas acreditamos ser exatamente o contrário. O constante sentimento de insatisfação, quando bem administrado, pré-dispõe as pessoas a se questionarem sobre o que podem fazer para melhorar o trabalho. Isso é muito positivo, pois cria entre os trabalhadores da evangelização, o desejo de promover transformações, a busca de soluções para os problemas, de sonhar com a evangelização ideal.

Dessa forma, cria-se um ambiente privilegiado, permitindo que seus integrantes sonhem com uma sociedade melhor e trabalhem para isso. Só assim ela cumpre seu papel de auxiliar na formação de espíritas integrados na vida social, que melhoram a cada dia o mundo em que vivemos.

A  garantia da qualidade se traduz na adesão aos novos paradigmas para o trabalho, na execução das atividades  de acordo com os planejamentos, no cumprimento dos compromissos estabelecidos e na administração das rotinas  existentes.

Com essas providências o trabalho se torna organizado, todos tomam conhecimento das suas tarefas e responsabilidades e a qualidade não é afetada pelas mudanças de colaboradores que venham a ocorrer.

10 - Alcance da excelência na Evangelização Espírita.

“Somos a soma de muitos."

 


Podemos traduzir esse princípio como o alcance da excelência no trabalho.

É óbvio que sabemos ser impossível  num trabalho que envolve a formação de pessoas não acontecerem erros.

Mas estabelecendo-se, normas e procedimentos para as atividades de evangelização estaremos minimizando as possibilidades de erros e garantindo mais qualidade.

A improvisação é um dos grandes fatores de erro em qualquer atividade que realizamos, em se tratando de evangelização ela é fatal, pois sonega ao evangelizando a possibilidade de conhecer de maneira clara, correta e profunda os ensinos Espíritas que constituirão, no futuro, ferramentas úteis para os enfrentamentos da vida.

Na realidade, todos os princípios enumerados podem colaborar para a prevenção de erros  e para o aperfeiçoamento da tarefa.

Fazer bem o trabalho, não aceitar procedimentos incorretos, estimular sempre ações inovadoras e criativas, seguir os planejamentos são ações que fazem parte da filosofia da qualidade  e  contribuem para a implantação do princípio da não aceitação de erros.

Considerando a proposta de busca da qualidade destacamos ainda alguns princípios muito adequados aos propósitos da Evangelização: Planejamento, controle e melhoria.

a) Planejamento das atividades de Evangelização.

“Oriente-se por fontes seguras.”

 

Nessa categoria podemos incluir todos os elementos do processo ensino-aprendizagem e norteadores da tarefa tais como: objetivo conteúdo programático, metodologia de ensino e os recursos instrucionais.

Ao  fazer a caracterização do princípio da gerência de processos, abordamos os aspectos referentes ao planejamento  e ao conteúdo programático, inclusive destacando a existência de documento norteador da tarefa.

Vale agora abordar a questão dos objetivos, como fatores preponderantes para a conquista da qualidade em qualquer empreendimento.

Na Evangelização espírita da criança e do jovem a determinação dos objetivos, já está contemplada nos documentos que orientam a tarefa, mas manter-se sempre voltado para a sua consecução é o desafio de todos os trabalhadores.

b) Operacionalização da tarefa.

“Coopere com Jesus.”

Aqui incluímos a organização e o funcionamento  do trabalho e o processo de  avaliação, que em muitos de seus aspectos já foram tratados nos princípios acima. Mas um elemento importante para a operacionalização e o controle da evangelização é a família.

O processo de Evangelização precisa da participação ativa da família. Esta  deve estar conscientizada quanto à importância e a necessidade da Evangelização Espírita,  que poderá ser valiosa auxiliar no processo educativo de seus filhos.

A evangelização Espírita da criança e do jovem precisa da participação efetiva dos pais e é aconselhável que se programe e execute reuniões onde eles tenham a oportunidade de conhecer o trabalho realizado nas salas de aula e onde possam analisar e discutir assuntos relativos à educação.

Pelo exposto podemos concluir que  para implantar e desenvolver  a qualidade no trabalho de Evangelização devemos organizar e funcionar dentro de normas pré-estabelecidas e de maneira  eficiente, manter uma equipe motivada, feliz e consciente da necessidade de constante aprimoramento, desenvolver formas de liderança participativa, planejar  as atividades para garantir a unidade e possibilitar aos pais e responsáveis momentos de estudo e discussão em torno da educação de seus filhos tornando-s nossos aliados no processo de Evangelização.

c) Alcance e abrangência da tarefa de Evangelização.

Em se tratando de Evangelização Espírita da criança  e do jovem consideramos importante colocar nessa classificação  a capacitação de todos os envolvidos e aspectos relacionados à abrangência e o alcance da tarefa.

Objetivos da Evangelização em Busca da Qualidade

Para definirmos com acerto os objetivos da Evangelização Espírita, recordemos o conceito: “a denominação de Evangelização Espírita Infanto-Juvenil se dá à transmissão do conhecimento espírita e da moral evangélica pregada por ‘Jesus que foi apontado pelos Espíritos superiores, que trabalharam na Codificação, como modelo de perfeição para toda a Humanidade’. ” (1)

“Como a preocupação não é somente com a transmissão de conhecimentos, mas, sobretudo, com a formação moral, e como a formação moral se inspira no Evangelho, parece-nos muito apropriada à denominação de "evangelização espírita” dada a essa tarefa, por expressar, na sua abrangência, exatamente o que se realiza em nossos agrupamentos de crianças e jovens. O ensinamento espírita e a moral evangélica são os elementos com os quais trabalhamos em nossas aulas. Esses conhecimentos são levados aos alunos por meio de situações práticas da vida, pois a metodologia empregada pretende que o aluno reflita e tire conclusões próprias dos temas estudados, pois só assim se efetiva a aprendizagem real”. (3)

São essas as premissas que devemos considerar ao estabelecermos e analisarmos os objetivos norteadores da tarefa.

Se a Evangelização Espírita Infanto-Juvenil têm em vista o conhecimento da Doutrina e a mudança de comportamento, os seus objetivos precisam estar definidos de tal modo que, ao final das etapas evangelizadoras, seja possível, de alguma maneira, constatar seu alcance.

Ressalta-se, contudo, que em um programa de tão vasta abrangência não podemos, obviamente, ser imediatistas na busca de resultados, visto que o processo de formação moral do ser humano demanda tempo, amadurecimento e consolidação do aprendizado.

Dessa forma, os objetivos da Evangelização Espíritas deverão ser formulados para curto, médios e longo prazos, considerando que “a educação não começa no berço e nem termina no túmulo, mas antecede o nascimento e sucede à morte do corpo físico”. (3)

Os objetivos de longo prazo consideram o indivíduo em seu processo contínuo de aprendizado nos dois planos da vida e “põe em ação todo o seu potencial com vistas ao alcance dos mais puros potenciais de vida. É o Espiritismo dilatando as fronteiras da educação, concedendo-lhe maior abrangência e apontando-lhe objetivos de grande alcance e valor moral”.(3)

São objetivos orientadores de uma nova filosofia de vida que o “Espiritismo revela e terão forças capazes de educar, por oferecer uma argumentação muito forte em favor do progresso espiritual e por conter uma motivação, igualmente vigorosa para a busca desse progresso”.(3)

Tais objetivos de longo alcance necessitarão ser desdobrados em outros, mais específicos e que possam ser atingidos em curtos e médios prazos. Estes constituem os objetivos determinados para cada uma das aulas e que estabelecem os aspectos do conhecimento e as aquisições de comportamentos a serem desenvolvidos durante o processo evangelizador.

A somatória desses objetivos específica promoverá, certamente, o alcance dos objetivos gerais da Evangelização Espírita Infanto-Juvenil, que constituem:

a) promover a integração do evangelizando: consigo mesmo, com o próximo e com Deus.

b) proporcionar ao evangelizando o estudo: da lei natural que rege o Universo; da “natureza, origem e destino dos Espíritos bem como de suas relações com o mundo corporal”.

c) “oferecer ao evangelizando a oportunidade de perceber-se como: homem integral, crítico, consciente, participativo, herdeiro de si mesmo, cidadão do Universo, agente de transformação de seu meio, rumo a toda perfeição de que é suscetível.” (4)

Os objetivos da Evangelização funcionam como orientadores de todo o trabalho, estabelecendo onde queremos chegar e quais os caminhos que devem ser percorridos. Por tal razão, os objetivos serão atingidos por meio das ações planejadas e executadas junto às crianças e jovens, cuja qualidade repercutirá na qualidade da tarefa em sua totalidade.

Assim sendo, de nada adianta estabelecermos corretamente os objetivos da tarefa se as atividades escolhidas não forem coerentes ou não tiverem relação com esses objetivos, visto que não conseguiremos atingir os propósitos do trabalho.

Refletindo sobre os resultados da Evangelização Espírita ao longo desses 30 anos de Campanha, questionamo-nos por diversas vezes por quais motivos muitos dos nossos evangelizandos, crianças e jovens, apresentam comportamentos iguais ou até mais inadequados que os apresentados por outros que não freqüentaram a Evangelização Espírita.

Essa constatação nos remete à perda dos objetivos da Evangelização, por parte de alguns trabalhadores resultando na  falta de qualidade nos processos de formação moral desses evangelizandos.

Dessa forma, todas as atividades realizadas na prática evangelizadora necessitam estar orientadas pelos seus objetivos, de modo que sejam alcançados a longo, médios ou curtos prazos, dependendo do tipo de aprendizado proposto e dos valores vivenciados.

Ressalta-se, ainda, que a preocupação de todos os responsáveis pelo trabalho deve dirigir-se tanto ao ensino de qualidade como à educação de qualidade, visto que ensino e educação constituem conceitos diferentes. No ensino se organiza uma série de atividades didáticas para ajudar os alunos a compreenderem áreas específicas do conhecimento espírita: ”o ensino que se funda no processo de despertar os poderes latentes do Espírito é o único que realmente encerra e resolve o problema da educação”. (6)

Na obra “Allan Kardec”, descreve-se que “a instrução é mais especialmente a aprendizagem da ciência, a educação é a aprendizagem da vida; a instrução desenvolve e enriquece a inteligência, a educação dirige e fortifica o coração; a instrução forma o talento; a educação, o caráter. A missão da educação é mais elevada, mais difícil a sua arte” (A. Cochin). Ao que, a respeito, acrescenta o Codificador: “o princípio do melhoramento está na natureza das crenças, porque estas constituem o móvel das ações e modificam os sentimentos. (...) É pela educação, mais do que pela instrução, que se transformará a Humanidade” (Allan Kardec). (8)

Por outras palavras: “transmitir conhecimentos espíritas e evangélicos é (ensinar) doutrinar; mas exemplificar os sentimentos que decorrem do ensino espírita e evangélico é evangelizar à luz do Espiritismo. É a Evangelização Espírita”.(9)

Conclui-se, dessa forma, que os objetivos da Evangelização Espírita implicam, efetivamente, na vivência do Evangelho por todos os envolvidos, sejam evangelizandos, evangelizadores e colaboradores, por que direcionam só passos para a conquista dos bens  do Espírito.

“O Céu não reclama a santificação de nosso espírito, de um dia para outro, nem exige de nós, de imediato, as atitudes espetaculares dos heróis amadurecidos no sofrimento renovador. O trabalho da evangelização é gradativo, paciente e perseverante” (Bezerra de Menezes). (7)

Referências Bibliográficas

 

  1. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 87 ed. Rio de Janeiro, FEB, 2005. Questão 625.
  2. ––. Prolegômenos, 14º parágrafo, p. 50
  3. ROCHA, Cecília. O que é Evangelização? Fundamentos da Evangelização Espírita da Infância e da Juventude  ed. FEB – Rio de Janeiro – 1987, p.25 p. 34-38.
  4. ––. Currículo para Escolas de Evangelização Espírita Infanto-Juvenil, 3 ed. Rio de janeiro: FEB. 2006 p.13.
  5. ––. Pelos Caminhos da Evangelização. Ed. Rio de Janeiro: Feb. 2006
  6. VINÍCIUS. Em Torno do Mestre. 7. ed. FEB, Rio de Janeiro, 1999, p. 183 a 186.
  7. ––.  O Mestre na Educação. 2. ed. FEB, Rio de Janeiro, 1982, p. 29 a 31.
  8. Wantuil Zeus e Francisco Thiesen, 2 edição.Rio de Janeiro: FEB. 1992.Vol.I,p 140.
  9. Currículo para as Escolas de Evangelização Espírita Infanto-Juvenil, 1982, 1ª edição, FEB.